quarta-feira, novembro 29, 2006

Axel

Ele foi embora sem dar "tchau". Estava cansado de procurar um ar que já não conseguia respirar. Vinte e oito de novembro e ele não conseguia andar direito...as pernas dele tremiam. Era "à tarde" e ele não entendia mais nada.
Caiu...Dormiu, mas não sem antes olhar pro homem que lhe acolheu e lhe levou pra morar lá em casa. Depois que os dois se enxergaram, fechou os olhos pra não mais acordar.
A tarde estava vazia e o sol curiosamente pintou uma mancha alaranjada em nuvens depressivas.
Um buraco foi cavado no lugar que ele mais ficava e seu corpo foi enterrado já cheio de formiga.
Ele tinha ido embora.
Tchau, cara de pateta...!

sexta-feira, abril 14, 2006

Pisantes


Todas as marcas indicam os lugares de onde se veio, por onde se passou, o que teve que enfrentar...Resquícios de medo ou não, eles mostram por onde estive...E são, sempre, lugares não limpos.

quarta-feira, abril 12, 2006

Saudade...(!...!...!)


Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald's; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer; Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.

Miguel Falabella

O beijo


...um pouco de glicose cai na corrente saguínea porque se precisa de moléculas de ATP por conta de uma tal de adrenalina que invade o músculo cardíaco...e os meus olhos se enchem de uma solução de NaCl...E meus músculos orbiculares, não sobrepostos, se contraem...

segunda-feira, abril 10, 2006

Um espelho...


Há certas coisas...Determinadas coisas...Coisas que não se determina por talvez não se qualificarem como coisas certas... Por serem incertas...Mas o que interessa...? A incerteza é vigente e a cara de um Palhaço é contente mesmo que sinta a maior das tristezas.

sexta-feira, março 31, 2006

Peristaltismo Inverso


E o aparente "vômito" revela um vocabulário supostamente desconexo que vem de dentro pra fora por conta do que provém de fora pra dentro.