domingo, agosto 31, 2008

cor.


As cores não consistem apenas nas sete cores do espectro luminoso – vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta -, elas dizem respeito a uma cor de voz que diz, que recita, que canta. Essa voz, mesmo que não escutada, canta uma música arranjada em vários gêneros, algumas vezes com a presença de cordas ou mesmo de uma guitarra distorcida. E pra isso ser percebido, não é necessário uma pontuação correta. É claro que o hábito da leitura e a prática da escrita ajudam bastante para que a mensagem enviada ao receptor seja compreendida por ele com o sentido e com a intenção que o emissor imprimiu nas frases. Mas mesmo diante de algumas falhas no código do conteúdo enviado, para aqueles receptores que se encontram em sintonia com o emissor, esta emoção sempre é percebida.

É o que acontece, por exemplo, com a linguagem dos olhares entre duas pessoas que se encontram em uma sintonia recíproca. Elas geralmente se compreendem. Mas, nesse caso, como os olhos não podem se ver, a mensagem é transmitida com sucesso ao receptor na medida em que, com ela, implicitamente, se encontram as músicas, os desenhos e as fotografias compartilhadas, além de todo sentimento que é muito sincero e sem qualquer tipo de vício.

Com a linguagem verbal escrita nos comunicamos e percebemos, reciprocamente, a intenção das mensagens recebidas por nos encontrarmos em sintonia – eu emissor, tu receptor ou vice e versa – e, deste modo, descobrimos uma nova modalidade de sensibilizar nossos sentidos com a cor da voz que não escutamos. E essa cor é tão forte que nos proporciona a extesia, estabelecendo o contato entre nós e as sensações sinestésicas além da nossa visão.