terça-feira, agosto 26, 2008

O mundo onde perto do fogo a gente só se bronzeia.


eu não vou me restringir à fome ou à violência pra falar do fim pra onde o mundo tá caminhando, mas vou falar sobre a má índole dos meus vizinhos, do egoísmo dos que dizem ter me amado um dia e da falsidade daqueles que cruzam comigo e me distribuem sorrisos esperando que a distância nos separe para que me alfinetem como um vudu.

vou falar sobre a falta de respeito e de consideração e do uso de alguns seres humanos por outros seres humanos só porque aqueles são convenientes para estes.

eu tento até dissimular uma realidade que me violenta, vestindo-a com trajes de quinze anos, para que, no lugar de todas as merdas, sejam vistas rosas e sejam sentidos os olores mais agradáveis.

eu criei um mundo onde perto do fogo a gente só se bronzeia.

eu coloquei nas capas dos jornais mulheres saudáveis, trajando a saúde pós-moderna.

coloquei na minha sala - de - estar aquela nata, que mais parece uma qualhada (delícia!), mas que chega a causar uma diarréira violenta.

mesmo sabendo de todo esse ambiente podre, eu dissimulo porque é mais fácil assim.

por que franzir o cenho se eu posso me emocionar com as omlimpíadas? daqui a pouco chega o natal, depois o réveillon e logo o carnaval...

arte: Banksy.
texto: Buguela e o Sonho Feio.