domingo, novembro 09, 2008

Quem foi que disse que rir é o melhor remédio?


"Eu faço as minhas coisas. Você faz as suas..."

Quando o Perls escreveu isso é claro que ele tinha seus motivos. Toda tentativa de comunicação implica em uma persuasão. Como receptora dessa informação eu faria uma única coisa diante desta sentença: pensar duas vezes em me aproximar do Perls.

Eu inclusive concordo quando ele pontua que nenhum ser humano deve viver de acordo com as expectativas de outro ser humano. Mas ao invés deu desferir essas palavras em uma metralhadora, embutidas implicitamente de um "cuidado!" eu te digo assim:

entra, fica à vontade. Você é você. Eu sou eu. A gente pode até não se encontrar que vai ser lindo do mesmo jeito. Eu vou adorar combinar as nossas diferenças. Isso vai ser no mínimo uma boa surpresa: a de que no mundo ainda existem pessoas "com personalidade" que remam fugindo da massificação.

fauve-impressionismo


Uma beira de estrada. Só o que se ouve são os grilos e os sapos que cortam aquele silêncio tão gostoso. Lá bem longe, afastada da pista, uma casa se posta com suas amplas janelas que permitem enxergar um tom amarelado de luz que emana do que supõe-se ser uma cozinha. É sabido que na sala se encontra um sofá cama.

Na beira da estrada ela caminha olhando pra uma lua minguante. A ausência de luz é tão forte que o céu está nitidamente cravejado de pontos que brilham, sejam eles estáticos ou não.

Lá longe se enxerga uma luz que se aproxima.

Apesar de ter passado um pouco mais das sete horas, parece que a madrugada já se faz presente há tempos. A noite só tinha começado.

A luz se aproxima e o que se escuta é o som do motor de um caminhão.

O coração dela acelera.

Num iminente levantar de braços que pressuporia o pedido de uma carona, uma voz é escutada quase que como um sussurro:

"beibe, cê não vai entrar?"

Ela olha pra trás.
Ele a espera.

Segundos depois. Um sofá cama. Menos um vestido. Menos uma calça. Menos um par de meias:

"me abraça forte..."

Suspiros.

Posologia


pra algumas pessoas o remédio é o riso, pra outras um prosac, pra outras um bom livro ou mesmo uma boa barra de chocolate.

todos eles, com exceção do prozac, são essenciais na vida de qualquer um: o riso, o livro e o chocolate são, de certo, as melhores drogas. pena que a maioria dos sequelados ainda não descobriu isso. quem sabe depois de uma análise?

mas a música...!

é impressionante como arranjos bem feitos, com uma letra simples e sincera podem cantar uma dor, uma felicidade, uma verdade, uma mentira, o amor, o desprezo, a raiva, a mágoa e ainda nos fazerem sentir somente as melhores coisas. porque sempre o que acontece é assim:

você está ouvindo rádio (no carro, na rua, na padaria, no escritório, na cozinha...) e as primeiras notas ou os primeiros acordes do piano, da guitarra, de um violão porrada são soltos...entra logo o baixão, a bateria e a melodia que aquele sujeito canta tão perfeitamente! de onde ele tirou isso? EU queria ter feito essa música! e enquanto isso o peito da gente se enche de um negócio que eu só sei dizer que é muito bom e te faz ter vontade de dançar que nem um doido e cantar aqueles trechos que você mais gosta!!!! \o/ a gente fecha os olhos e (como é que se diz?) sente a música!

música é música sempre!

é claro que essas músicas são mais fáceis de serem tocadas num mp3 porque as rádios de hoje...

mas sim, música, ah a música!
que levem a minha televisão.

the same old thing


me ama assim, do teu jeito.
me sorri, me olha e não me diz que queres, mas que vais me abraçar.

me pega nas mãos,
mostra que me ama.

me leva pra comprar jornal,
fica comigo agarradinho no próximo show.

me enxuga a testa quando eu estiver suando,
me enxuga as lágrimas quando eu estiver chorando.

oferece pra mim aquela música,
toca pra mim aquela canção.

me manda uma carta,
um bouquet de lápis,
um livro de poemas com aquela dedicatória que só tu sabes fazer.

cozinha pra mim o meu bolo favorito,
me leva café na cama,
me cobre quando eu estiver com frio.

me ama.

me ama do jeito que os outros se amam,
me faz carinho do jeito que os outros se fazem,
me diz dengos do jeito que os outros se dizem.

me despe...

estou nu, sorrindo pra ti... "deixa pra lá, eles não sabem o que dizem".

vem cá.

Espirotriconinfabíspira


Não quero um dia com céu limpo e nem com sol.
Não quero passarinhos ou gaivotas que pousam no lago só embelezando mais o que já era impossível de ficar mais bonito (mel!).
Não quero gramas verdes.
Não quero flores.
Não quero orvalho.
Não quero alvas nuvens.

Quero tempo fechado.
Quero ventania.
Quero chuva forte.
Quero árvores sem folhas.
Quero casas destelhadas.

(...)

Escolho a tempestade.

arte: Banksy.

Greimas


Todo texto diz alguma coisa. Todo discurso apresenta implícito ou não uma forma de manipulação: nem tudo é o que parece; nem tudo se mostra como realmente é; nada deve escapar ao olhar atento. (premissas fenomenológicas)

Greimas entende que o texto constitui em qualquer coisa entrelaçada que gere sentido.

A semiótica estuda o que o texto diz e o que ele faz para dizer o que diz. O discurso é o componente ideológico sobre o ponto de vista da semiótica francesa.

É sabido que cada pessoa interpreta um texto (linguístico, visual, sonoro, gestual e sincrético) a partir de seu repertório, do conhecimento adquirido por toda a sua vida. E cada sujeito atribuirá ao objeto observado um valor. E isso também depende desse repertório de vida.

E de acordo com esse repertório e com esses valores, uma pessoa pode ser persuadida, seduzida, intimidada ou tentada por meio de um texto, por meio do discurso.

Cuidado com a aparência, com a tendência de concepções preconceituosas acerca de algo por conta de uma mera percepção imediatista. (vício pós-moderno...)

O buraco é mais embaixo.

Manda o filme pra revelar


O passar do tempo faz o dia virar noite,
o esmalte descascar,
o cabelo crescer,
a unha do pé encravar.

O passar do tempo faz a gente mudar a cor dos cabelos (muitas vezes!),
perder peso,
ganhar peso,
perder mais e mais peso.

O passar do tempo faz a gente tentar ser poliglota,
ser graduado,
ser mestre,
ser doutor.

O passar do tempo faz a gente conhecer bandas novas,
descobrir novos gostos,
novos holores
e cheiros cada vez mais fedorentos.

O passar do tempo faz a gente sentir raiva,
tristeza,
lamento,
(arrependimento não!)
...faz a gente se sentir feliz.

O passar do tempo faz a gente ficar bobo,
macaco velho,
com as costas cada vez mais quebradas,
com a cabeça cada vez mais maturada.

O tempo às vezes nos deixa marinando,
nos cozinha,
nos assa,
nos frita...
nos come.

E conforme o tempo passa a gente fica, assim, bobo, sempre quando lembra daqueles momentos nossos que comporiam perfeitamente uma linda propaganda.

Esse é um deles.

Signo de natureza indicial


O coração palpita forte.
Tão forte que temos a impressão de que ele ultrapassa a caixa toráxica e se molda no primeiro pedaço de pano que estamos vestindo:
Medo.

O coração pulsa acelerado.
Junto com a pulsação escorre o suor na testa.
Frio na espinha:
Nervosismo.

O coração bate muitas vezes.
Junto com ele mil borboletas na barriga batem as asas:
Paixão.

O coração bate.
Um sorriso se manifesta.
Na costa não há qualquer peso.
As pernas caminham levemente.
Na mente há o equilíbrio.
Nos braços, a vontade de abraçar:
Amor.

Atitude


O Homem se torna humano em contato com outros Homens. A filogênnese se apura conforme o sujeito vai adquirindo aspectos ontogenéticos e sociogenéticos, daí porque somos nossa própria história e as pessoas com as quais nos relacionamos.

A cultura vai esculpindo na pessoa seus conceitos, seus valores que lhe são passados por um processo de comunicação e que, dependendo da interpretação que cada um de nós tem a respeito da mensagem que lhe é dirigida e dependendo do valor que damos a essa mensagem, a percebemos de um jeito.

O tipo de percepção determina a atitude que pode futuramente mudar ou não.

Somos nossas vivências, nossos amigos, as pessoas que amamos, os livros que lemos (ou não lemos), os passeios que fazemos...somos nossas experiências.

"O Homem não é, ele está".

foto: Adriana Calcanhoto cantando Esquadros (trilha sonora das férias de 96, regadas à ela e à horas brincando de Lego. isso sem contar as comidas deliciosas da casa da vovó).

algo em comum.


nesta época do ano sabemos que milhões de pessoas têm na mente um mesmo pensamento.

que milhões de pessoas têm na boca o mesmo gosto,

nos olhos as mesmas lágrimas,

na garganda o mesmo nó

e no peito o mesmo amor.

é lindo!

ponto.

up side down.


o que é que se faz quando se fica de ponta-cabeça?
o que é que se faz quando se fica de cabeça pra baixo?
dá-se cambalhota?
dá-se carambola?
o melhor do circo são as piruetas.
o melhor do circo são as piruetas dadas pelos trapezistas...!
pra ver o mundo invertido é só plantar bananeira ou olhar o mundo pelo espelho,
mas digo que não se trara da mesma inversão,
apesar de que se trata de uma mesma visão torta do mundo.

viva o "de cabeça para baixo"!