domingo, novembro 09, 2008

fauve-impressionismo


Uma beira de estrada. Só o que se ouve são os grilos e os sapos que cortam aquele silêncio tão gostoso. Lá bem longe, afastada da pista, uma casa se posta com suas amplas janelas que permitem enxergar um tom amarelado de luz que emana do que supõe-se ser uma cozinha. É sabido que na sala se encontra um sofá cama.

Na beira da estrada ela caminha olhando pra uma lua minguante. A ausência de luz é tão forte que o céu está nitidamente cravejado de pontos que brilham, sejam eles estáticos ou não.

Lá longe se enxerga uma luz que se aproxima.

Apesar de ter passado um pouco mais das sete horas, parece que a madrugada já se faz presente há tempos. A noite só tinha começado.

A luz se aproxima e o que se escuta é o som do motor de um caminhão.

O coração dela acelera.

Num iminente levantar de braços que pressuporia o pedido de uma carona, uma voz é escutada quase que como um sussurro:

"beibe, cê não vai entrar?"

Ela olha pra trás.
Ele a espera.

Segundos depois. Um sofá cama. Menos um vestido. Menos uma calça. Menos um par de meias:

"me abraça forte..."

Suspiros.