quarta-feira, março 25, 2009

Cuidado com o chão.


Uma vez duas amigas me perguntaram porque eu usava o relógio no punho esquerdo. Eu disse que tinha sido educada a usá-lo assim.





A partir do momento em que se inicia a nossa existência (quando a gente sai de dentro da mãe e chora porque doeu respirar) começamos a viver em um meio cultural que nos passa muitas regras (morais, de postura, de condutas), bem como muitos valores, tudo através de um código e de associações simbólicas.

Paulatinamente uma imensidão de signos começa a nos fazer sentido. (por isso que se alguém que nasce cego e passa a enxergar, se sente totalmente perdido com a quantidade de informação que recebe - cor, forma, dimensões, profundidade...)

Como esses sentidos sempre fizeram sentido porque fomos educados a ver o tal sentido, a gente se acostuma com determinadas coisas que se formos pensar bem são dotadas de um certo absurdo.

Por isso é sempre bom questionar algumas informações que recebemos e não engolir tudo de primeira. Mesmo que aparentemente legítimas, as fontes de informação não são sempre confiáveis.

Ter cuidado com o tipo de informação que manipulamos e que passamos adiante é importante. Corremos o risco o tempo todo de estarmos brincando com algo seríssimo.

Você já refez seus conceitos?



napontadodedo: industria cultural?
arte: Banksy

terça-feira, março 24, 2009

Banksy

Muitas vezes as palavras são dispensadas para se comunicar algo. Agumas vezes o que se diz com a boca fechada é melhor comunicado do que quando se solta o verbo. As sentenças mudas são as que causam maior efeito.








quinta-feira, março 19, 2009

Young Folks.


Enquanto nós somos crianças, não convivemos tanto com os amigos (chamados "coleguinhas") porque o tempo em que se fica na escola é menor, além de haver a maior burocracia pra gente passear com um amiguinho ou dormir na casa dele, já que sempre os pais temem que algo aconteça. E mesmo quando a gente consegue esse maior feito (o de dormir fora), há sempre o risco de se ligar pra casa pra ir embora já que a saudade no peito bate forte (e não há maior alívio do que abrçar os pais e sentir o cheiro da nossa cama...).

Enquanto somos adolescentes, a gente sente o gosto da liberdade de poder atravessar a rua sozinho e pegar o ônibus, sozinho, pra ir ver um amigo. Pra ir ao cinema, pra jogar conversa fora, pra se molhar numa chuva que caiu de repente.

Enquanto somos adultos, o tempo com os amigos reduz. Reduz porque temos outras coisas com as quais passar o tempo. E não pra necessariamente fazer o tempo passar, mas compromissos e obrigações sempre fazem o dia voar "ajato". As semanas passam assim, super depressa. E a gente continua sentindo falta de estar com eles mais um pouco, como acontecia na infância que implorávamos copiosamente os "mais cinco minutos".



napontadodedo: saudade de vocês, ladys.


http://www.youtube.com/watch?v=51V1VMkuyx0

sexta-feira, março 13, 2009

As boas coisas da sexta-feira treze.

Boas coisas acontecem na sexta-feira treze.
Momentos agradáveis com pessoas queridas e o descobrir de um tesouro são apenas dois exemplos de coisas boas que já aconteceram em sexta-feiras treze (tá certo esse plural?). Mas sim...

A sexta-feira treze de hoje não foi diferente. Tem surpresa mais legal do que tu acordades com a avó de oitenta e quatro anos escutando dance?

Agora só aguardar a surpresa da terceira e última sexta-feira treze do ano que é em Novembro.

quarta-feira, março 11, 2009

Edifício Master: o contador de histórias

Por Andressa Gonçalves
reportagem baseada no documentário Edifício Master, de Eduardo Coutinho.

“Opium dream, fields so green. Bright mind, bright future. If they ever reach her let her be a sculpture or free her from third-world-culture.” A autora dos versos é Daniela, uma moça que sofre de neurose e sociofobia. Logradouro: Edifício Master, Copacabana, Rio de Janeiro.
Sentada e inquieta, a professora de inglês não encara os olhos da repórter. Um pouco incomodada em entrevistar Daniela, olhando para o seu perfil, pergunto “por que você não me olha nos olhos?”. Em um linguajar que denuncia muitas leituras e uma enorme capacidade de se expressar e olhando para mim esforçadamente, ela responde: “Não porque o que eu esteja dizendo não tenha veracidade, mas porque eu não sei dizer se eu tenho autoconfiança para encará-la sem talvez gaguejar ou piscar compulsivamente. Eu tenho esse problema. Eu só forço a barra quando, por exemplo, vou a uma entrevista de trabalho. Os entrevistadores podem pensar que ‘você’ está mentindo, ‘você não está me olhando nos olhos! ’, então você teme e você deve. Como eu não estou temendo e nem devendo... Aqui eu não estou devendo, mas estou temendo. Você acha que o fator que impulsiona a pessoa a não ‘ter’ o tête-à-tête é o que? É o medo”, ela se vira novamente de lado e continuamos a entrevista.

O jeito de falar de Daniela é manso, calmo e mostra que sempre há uma reflexão antes de se externar um pensamento. A professora morou oito anos em New Orleans, EUA, porque sua mãe trabalhava no consulado do Brasil. Ela mora com três gatas. O namorado lhe visita durante a metade da semana.
A razão do isolamento é conseqüência da tensão nervosa que sente ao interagir com outras pessoas “a aglomeração típica do vai-e-vem de Copacabana faz com que eu chegue em casa muito estressada. Eu não sei se são pessoas demais ou calçadas muito estreitas ou se é uma fusão desagradável dos dois elementos. Eu sei que pode ser feio, ‘tá’, feio! Muitas vezes eu fico contente quando subo e desço no elevador sozinha. Não porque eu não vou perder tempo parando ‘num’ andar, mas porque eu sei que eu não vou ter que ver e nem ser vista”, conta.
O paradoxo que caracteriza a vida de Daniela que é sociofóbica e que co-habita com quase quinhentas pessoas (273 apartamentos, 12 andares, 23 por andar), não é o único encontrado na história do Edifício Master.

O condomínio de Copacabana, outrora palco de meretrizes, travestis, ilicitudes e policiais, é hoje um coletivo de esposas, maridos, filhos, mães solteiras, aposentados, viúvos, separados, que moram em um ambiente abarcado pela bonança precedida pela tempestade.
A portaria do edifício, esporadicamente transformada em boteco onde porteiros e moradores se divertiam, era o entretenimento daqueles que nas madrugadas eram visitados pela insônia ou pela solidão. “De noite aquela portaria era um lugarzinho pras mulheres descerem e beberem junto com os porteiros. Toda noite. Eu também descia. A gente comia, os porteiros bebiam, depois ficavam bêbados e iam dormir. A portaria ficava jogada. De vez em quando desciam mulheres enfurecidas que começavam confusões, às vezes portavam até canivete”, conta Maria do Céu. De forma bem humorada a antiga moradora lembra quando em uma dessas noites chegou ao edifício a patrulhinha que se dirigiu para um determinado andar. Do térreo ela viu quando algumas pessoas fugiram dos policiais pelos andaimes montados em frente ao apartamento. “Era uma baderna aqui, mas o Sérgio (síndico de 1997 a 2003) chegou e agora está ‘tudo silêncio’. Ele sofreu muito pra tirar os travestis daqui, a prostituição, as casas de massagem. Ele ia toda hora à delegacia. Toda hora os moradores e os porteiros tinham que ser testemunhas”, relata.
Sérgio conta que seu objetivo era “fazer do Master um prédio bonito, descente, isto na minha primeira gestão como síndico. Graças a Deus eu consegui. Eu uso muito Piaget, quando não dá certo eu passo pro Pinochet. Como diz o outro ‘a realidade da vida é sempre o funeral das ilusões’ (eu uso muito ditado – risos). Então quando essa gente está ‘viajando na maionese’ e você mostra a realidade, eles caem. É isso aí que eu tento mostrar”.
Vera, a “cigana”, também testemunhou a época ruim do Edifício Master. Apesar de “nômade”, ela nunca deixou o endereço, mas mudou de apartamento 28 vezes. “Aqui era um antro de perdição muito pesado. Houve suicídio, morte de porteiros, assassinatos. Nos corredores haviam mulheres caídas, filas de pessoas que procuravam prostitutas. O edifício abrigava muitas cafetinas. Houve muitas mudanças aqui no prédio, as pessoas mal gratas saíram. Tem muitas pessoas de bom grado aqui. Agora o Master é um prédio familiar”, diz.
Atualmente o edifício coleciona “pessoas comuns” em seus apartamentos: viúvos e mães solteiras que aprenderam a conviver com a solidão; pessoas que vieram de outra cidade para “tentar a vida” no Rio de Janeiro; ex-moradores de uma boa casa que partiram para o Master por perderem tudo o que tinham; ex-moradores do subúrbio que se mudaram para Copacabana (seja o trabalhador que descobriu o razoável aluguel de um apartamento no edifício ou a moça chocolate baby que arranjou um namorado americano-empresário).
Em Copacabana, um condado com características outrora antagônicas ao Cartão Postal carioca. Hoje, um Edifício (família) Master contador de histórias passadas que amedrontaram e de histórias presentes que fascinam.



terça-feira, março 10, 2009

Alguma sugestão?

Preciso te falar, mas não de qualquer jeito, de algo que eu guardo aqui dentro do peito, que me incomoda demais. Chega a dar um estalo, me faz perder o ar. Me cansa, me desgasta. Chega a me sufocar.
Já não consigo mais dormir. Nem sinto o gosto da comida, é, eu perdi o paladar, mas o que mais me irrita é não saber pôr isso tudo pra fora. Está preso, entalado. Estou encatarrado.
Eu não sei escarrar. O espectorante não funciona.
O muco não sai, então, vai, por favor, e me compra um transpumin pra tirar isso tudo de mim. Porque eu quero um peito amigo e não um cheio de catarro.

sexta-feira, março 06, 2009



Eu sou menina
eu calço trinta e seis
eu tenho um quarto todo cheio de ursinho

Eu sou menina
eu sei falar inglês,
mas o que eu quero é só um pouco de carinho

Mas se alguém quiser me dar só uma mão
eu não reclamo, eu digo até que aceito
porque dentro do peito eu tenho um espação assim
todo grandão

Eu sou menina
eu tenho dezesseis
eu tenho a cara toda cheia de espinha

Eu sou menina
e digo digo de uma vez
que o que eu quero é tua mão junto com a minha

Mas se tu não quiseres me dar tua mão
não vou negar
eu fico até sem jeito
mas dentro do meu peito bate um compasso assim
bem tranquilão

E essa menina que chora por causa de um beijo
sente desejo
sente paixão
fica só por horas
sente um desconforto gigantão

napontadodedo: Buguela e o Sonho Feio

quarta-feira, março 04, 2009

Os presentes de Thiago Pelaes.


Ontem eu "reencontrei" um amigo querido de adolescência que não mora mais aqui, mas que voltará ano que vem.
Os reencontros, em sua maioria, sempre são muito positivos.
Este é um desses.
O bom é que eu reencotro o Thiaguito muitas vezes e sempre é muito bom.

Dessa vez o nosso dedo de prosa me rendeu um encantamento e uma surpresa que me fez ficar muito emocionada: as fotografias que ele faz.

Sempre as fotografias do Thiago me deixam de queixo caído. Ele tem uma sensibilidade absurda!

Mas sim. A surpresa: as fotos do casamento da Suelen e do Davi (que eu conheci quando eram namorados).

por favor, vejam isso.
http://www.makfotografia.com/

napontadodedo: thiaguito que toca violão.