sábado, maio 02, 2009

Ela e o passarinho.

Deitada na rede atada com nó de porco, próximo à janela, Ela enxergava, do décimo nono andar, a vista que se tem da cidade quando olhada do avião. O céu estava cinza. Batia um vento que acariciava sua bunda, coxas, pés e um início de costa que afundavam o tecido amarelo da rede. Como Ela adora amarelo!

O vento que arrepiou um por um seus pêlos, adentrou o quarto no momento em que um passarinho pousou na caixa do ar condicionado. Que lindo as suas asas empurrando o ar...!

É muito comum, neste apartamento, que aves bonitinhas e pequenininhas descansem em suas arestas, decorando amorosamente as janelas e as sacadas onde Ela se debruça quando o sol se põe. O passarinho parou apoplético, talvez por causa da beleza do que via: ela, a cidade que repousa à beira do rio.

Toda a atenção Dela voltou-se para o passarinho que voltou-se para a cidade.

Uma eternidade passou durante alguns segundos que levou um ponto final dado pelo passarinho. Ele se jogou.

Desenhou no ar uma simulação de suicídio.