quinta-feira, setembro 17, 2009

A vida continua e o sol nascerá mais outro dia.

Sol. O dia amanheceu ensolarado, contente. Parecia um convite a um passeio descompromissado que terminaria com um sorvete de sonho de valsa da Cairu. Não era esperado que dois moços nojentos pulassem em cima de mim e me levassem um cordão, uma pulseira e três pingentes que aguardavam o iminente roubo desde à época em que se recolhiam na gaveta do meu criado mudo.

A João Balbi estava em paz. A 14 de março repousava tranquila, com cheiro de banho tomado. Quando cheguei na Nazaré já senti aquela harmonia do círio. Que energia! Tudo psicológico, mas o astral estava inspirador.

Interrompi todo o prazer quase hedônico com um questionamento: "qual é a parada dos ônibus que passam pela Br?". "Aquela do CAN", lembrei. Espremendo os meus olhos por causa do sol, bem como para enxergar o nome do ônibus azul que se aproximava, estiquei o braço direito. O motorista não me viu. Passou direto. Mas dois rapazes astutos não só me enxergaram como perceberam o meu pescoço e o meu pulso esquerdo. As jóias nem eram tão perceptíveis. (Mas besteira minha de não ter saído "pelada", sem nada.) Perdemos o direito até de nos embelezarmos. Acontece.

Eles me viram. Pularam em mim. "Filho da puta, larga o meu cordão", disse pro desgraçado enquanto atraquei na correntinha, tentando impedir o roubo. O outro se aproximou. Pensei que fosse uma ajuda. Ele pulou no meu pulso e me arrancou a pulseira. Que vontade de estourar aquelas bochechas imensas. Levaram tudo, menos o cordão que caiu com o fecho arrebentado no meu pescoço, mas sem o pingente.

A parada tinha bastante gente. Mas cada um ficou na sua apreciando o crime enquanto eu dava o meu jeito de me defender. Eu segui o meu caminho, assim como todos eles. Inclusive os meliantes. Uma senhora se aproximou. "Minha filha, você foi assaltada?".

Óbvio.