terça-feira, outubro 13, 2009

@#$&!?#&%*

Escrever. Exorcizar. Colocar tudo para fora. Espremer para que se extraia a última gota de onde quer que seja.
A mente está cansada e mesmo que as palavras de um texto passeiem pelo cérebro elas refletem, batem nos neurônios e voltam. São poucos os vestígios de suas passagens pelo raciocínio.
Nessas horas o cérebro está tão amortecido que os verbos não chegam a fazer cócegas nas sinapses. O corpo pede uma massagem. A boca, o beijo. As mãos, um lugar para fazer carinho.
Os olhos pedem o escuro. A língua, o doce ou o gosto da pele.
O olfato clama pelo cheiro de uns cabelos, de um perfume, de um amaciante que só se encontra naquela roupa.
A costa quer a cama. Os pêlos, o arrepio. O pescoço, o travesseiro. Os pés, outros pés. Quatro membros que se enrolam de baixo de um cobertor.
Escuridão. Silêncio.
Mais um dia.

Retalho.


não ouso em esconder minha saudade
mas eu sei que já é tarde para reparar remendos
e costurar uns rombos de um tecido tão cutâneo
lavar com sabão e enxugar

recato exposto em função do senhor mundo
tanto zelo em ser pra não ser nada
máscara posta em face do imundo
busca de um sentido sem sentido pra sentir

vou fazer do coração um origame
e deixar de dar tanto vexame
ao invés, dar sentimento
e fazer das emoções um tormento
que desarrumam a cama toda vez que tem visita em casa

quinta-feira, outubro 01, 2009

Quem eu sou e porque escolhi o jornalismo como profissão...

Uma curiosa pelo ser humano. Esta sou eu, Andressa Gonçalves, que desde a minha primeira crise existencial, ocorrida há dez anos, persigo as respostas de inúmeros por quês que tentam explicar a razão de ser do Homem e a razão de ser do mundo.

Profissão jornalista. Existe um meio melhor para alcançar este fim? Não. A psicologia pode compreender a formação substancial do homem e entender porque nos comportamos como nos comportamos. A sociologia pode explicar porque as sociedades funcionam do jeito que funcionam. A antropologia pode explicar porque somos o que lemos, o que escutamos, o que vivemos. Mas só o jornalismo flagra as situações que fundamentam o ser e o estar de cada um, em razão de um só fato: o jornalismo trabalha com o presente. O hoje e o agora são o objeto de trabalho do jornalista.

Tem coisa mais gostosa do que reportar para o mundo fatos sociais dotados de valor notícia que ocorrem em tempo real e escala global? Tem coisa mais prazerosa do que reportar uma informação que estará impressa nos futuros livros de história? Tem coisa mais deliciosa do que fazer tudo isso mediante a construção de uma mensagem que irá intimidar, seduzir, provocar e/ou tentar seu receptor? Claro que não.
Ser jornalista é querer saber de “tudo e mais um pouco” e mostrar para inúmeros receptores de nossas mensagens verbais ou imagéticas a razão de ser de um assassinato, de uma descoberta científica, de uma roupa que virou moda.

As investigações que nos levam às respostas do “que”, “quem”, “onde”, “quando”, “como” e “por que” desvelam realidades e nos mostram as entranhas do Homem que, com o passar do tempo, descobrimos ser capaz de tudo... E mais um pouco. Por mais absurda que seja a explicação de um fato, ela sempre existirá. E nós jornalistas buscamos respostas o tempo inteiro e eu não me canso de caçá-las.

Comunicar é inerente apenas ao ser humano. Por este motivo somos os únicos seres racionais entre os seres vivos. Esta característica, em mim, é aflorada demasiadamente. Sempre fez parte dos meus planos comunicar, veicular mensagens a receptores que as compreendam (a compreensão do receptor concretiza o processo de comunicação). Para comunicar observo o ser humano para melhor compreendê-lo e saber “o que” e “como” escrever para seduzí-lo através de meus textos que terão seus conteúdos absorvidos por um leitor que refletirá sobre eles por um minuto que seja.

Sempre tive curiosidade em saber como as pessoas se tornam o que são, como aprendem, como armazenam informações. Em um primeiro momento procurei justificativas químico-biológicas, mas depois entendi que se tratava de cultura. Nada melhor do que compreender o outro para escrever para ele. O resultado dessas constantes observações combinadas com um estudo sobre semiótica e cultura brasileira me levou a montar o blog “Buguela e o Sonho Feio” que trata sobre “coisas que brotam de dentro pra fora por conta do que vem de fora pra dentro”.

Eu quero saber, compreender e escrever sobre. Adoro as mudanças, adoro o relativo, adoro pontos de vista. Adoro as resignificações. É muito positivo rever o significado de símbolos, signos e índices, afinal é o homem que atribui suas denotações e conotações. Como o ser humano não é e sim está, as significações não podem ser perpétuas. O melhor meio que nos leva à resignificação é o contato com o ponto de vista alheio. E como se dá isso? Através da entrevista!

Ser jornalista é a minha realização mais profunda já que a profissão engloba tudo o que eu mais amo fazer: ler o mundo, as pessoas e escrever sobre ambos. Fazer este exercício implica em conhecer um pouco de todas as ciências humanas. Como adoro estudar o homem, não preciso me ater a somente um de seus aspectos. Ser jornalista é conviver com perguntas, perseguir respostas e investigar o melhor meio de fisgar o leitor para consumir a informação que veiculo e fazê-lo não só ter prazer ao consumi-la, mas se sentir inserido em uma coletividade que tem a mesma sensação.