quinta-feira, dezembro 31, 2009

Feliz Ano Velho!

No último dia do ano de 2008, no meio da tarde, estava no Rio de Janeiro. Já tinha feito as unhas em um salão na Tijuca e, arrumada e com o meu esmalte roxo, pegava o bonde para Copacabana (posto seis). A Avenida Atlântica estava fechada para os carros (as usual). A maioria em massa da população (maior parte de turistas) usava branco. Todos marchavam com flores e oferendas nas mãos da Barata Ribeiro, Nossa Senhora e adjacências rumo à "Copa" para jogar no mar as flores para Iaiá (que logo me faria descobrir ser a minha parceirona, mas isso fica pra próxima).

Um apartamento cheio de mulher doida e uma geladeira aborratada de cerveja me esperava lindo e sorridente . Passamos a noite inteira fazendo tudo o que pessoas comuns fazem num dia desses: dançando, bebendo, jogando conversa fora e rindo desesperadamente. Dez pra meia noite todas descemos para a praia e bebemos (desta vez champagne). Cantamos "adeus ano velho" e recebemos 2009 (que se foi voando) com cerca de vinte minutos de queima de fogos que não chegam aos pés dos fogos da transladação, da descida da Presidente Vargas.

2009 começou lindo com passeios em Ipanema e um monte de bofe escândalo no meio do caminho. 2009 acabou e mesmo que quinta tenha sido mais uma noite que virou dia, todos nos preparamos para que boas energias nos acompanhe no novo ano . Novas metas? Não, o de sempre: que seja diferente. Ano novo tem que ter novidade e terá. Olha a lista aí: primeira viagem internacional, matar a saudade do Rio de Janeiro, trabalhar na TV, assistir ao show do Cranberries, ler mais, escrever mais, ver mais filmes, voltar a tocar guitarra e conhecer a Toscana (além de ter saúde, paz, fé, tolerância e essas coisas que todo mundo precisa pra aguentar esse mundo de cão).

Feliz Ano Velho? Sim! E como coisa boa atrai coisa boa... já imaginam como tem sido desde sexta, né? Pintei minha unha de rosa, comprei um vestido com as cores de Vênus (planeta do amor, o astro que regerá 2010... Tá, prometi não falar mais sobre essas coisas, mas só um lembrete: adentraremos neste ano "the age of aquários"), usei uma calcinha feliz (acreditem no poder da calcinha) e... bem, o resto é segredo. Eu não uso mandinga, o meu papo é direto com Ele: eu peço e se Ele achar que me fará bem e se eu merecer, Ele manda. Com Ele ninguém pode, certo?

Para dar o impulso incial que vibrará as partículas de vosso corpo para que entrem em sintonia com as energias do cosmo e tenham um 2010 MA - RA, eis que posto um momento poético de 2009 como foram muitos outros.

FELIZ ANO NOVO!



domingo, dezembro 27, 2009

"The thing".


Os pinguins, macho e fêmea, vivem em torno de um mesmo objetivo: mater-se vivo e garantir a perpetuação da espécie. A cumplicidade e parceria reinam absolutas na sociedade de pinguins. Cada um precisa de um par para sobreviver. A dupla é a regra.





- Desencontros desconsertantes, desencadeadores de discórdias e desídias, definitivamente dilaceradores.
- Deixam dúvidas dinamitarem distâncias dolorosas, dicotomias dardejantes de dois doentios destruidores de dizeres denotativos.

Eu estava no quarto escrevendo quando tocou meu telefone. No visor, o 021 sinalizou que era um número do Rio de Janeiro. Retornei.

- Alô...
- Alô.
- André?
- êêêêê, jogadoooora...! A senhora retornou. Tenho lembrado muito da senhora...

A conversa foi breve porque precisaram usar o telefone. Ficou combinada a hora que ele retornaria a ligação. Um desencontro nos impediu de nos falarmos. Enviei a mensagem. "Esses tais desencontros desconsertantes, desencadeadores de discórdias e desídias, definitivamente dilaceradores." "Deixam dúvidas dinamitarem distâncias dolorosas, dicotomias dardejantes de dois doentios destruidores de dizeres denotativos", respondeu ele.

Uma afinidade existia, assim como um sentimento recíproco. Paixão, carinho, afeto...o segundo amor.

As empatias são assim, existem e ponto. Não adianta vagina de bota, chora nos meus pés, lavar a neném com sei lá o que. Quando é pra ter o "the thing", "the thing" existe e ponto. Começa sempre com uma boa conversa. Pode até haver uma troca de olhares, um sorrisinho maroto, um despir com os olhos que gritam "quero te pegar de qualquer jeito e tem que ser agora", mas a conversa é o start. E este "start" não incia um jogo, porque se tem jogo, é porque não tem "the thing".




Sim, a conversa.

A conversa começa com uma lista de assuntos que não acaba nunca. Sempre tem uma novidade, uma descoberta. É um troca troca de música, de filmes, de lugares legais para se comer não sei o que , ou beber sei lá o que. Lugares bons para "causar", para se pegar, para relaxar... As listas são infinitas. O melhor bolo, a melhor pizza, o melhor sushi, o melhor caldo de feijão...O desenrolar da conversa é tão fluente que o tempo passa ligeiro e é tão relaxante quanto qualquer coisa que você ache ser tããão relaxante.

Entre uma música e outra os pontos em comum aumentam. A cada nova conversa, novos prazeres, novas gargalhadas e pronto: já nos envolvemos completamente. Já era. É aí que chega o momento em que somos condenados a viver as melhores coisas, mas os receios de ontem que não nos deixam fluir com calmaria funcionam como freios ABS super eficientes. Medo de me arrebentar como me arrebentei quando tive que dar adeus ao André? Sim, medo. Dá um frio quando a gente pensa no impacto da dor, mas é tão gostoso se permitir.

A permissão nos causa boas sensações e más também, claro. A cada dia, uma vontade. A cada ato, uma recompensa. Um abraço apaixonado depois de uma fuga malabarística de casa numa madrugada de quando ainda se tinha dezesseis anos. O beijo roubado em um show de rock totalmente ignorado por aqueles dois espectadores. Uma rua pichada que grita "tô apaixonado por você!". Uma ligação triste que precedeu um casamento. Uma boa surpresa no sofá de uma boate onde só tocava música legal...Uma boa lembrança que foi embora pra Recife. "The thing".

"The thing" é tão gostoso quanto o som de um pau de chuva, de um piano suave, quanto um carinho na nuca, quanto uma pegada no cofrinho, quanto um beijo carinhoso enquanto se satisfaz a lascívia. "The thing" não chega a ser raro de acontecer, mas é incomum. "The thing" a gente não encontra, "The thing" acha a gente e quando estamos diante de "The thing", bem, cada um reage de um jeito. Uns se jogam(os) de cabeça, com sede por "The thing", tudo por causa do único objetivo de viver tudo o que tem pra ser vivido, porque esse tipo de coisa a gente não deixa passar. Outros mais tímidos, lidam com "The thing" cautelosamente. Muitas vezes nem sabem que "The thing" é "The thing". Tem alguns que preferem fazer de conta que não perceberam "The thing". Movidos pelo medo, receio ou frouxidão, tentam se abicorar do "The thing", inutilmente. Quando se rendem, às vezes já passou o momento.

Sentir "The thing" causa calos, pelo menos em mim, porque em todos os casos "The thing" veio e se foi. Mas "The thing" is always so gooood, so good.