terça-feira, janeiro 26, 2010

Tipos.



"Cheirosa você." Eu tenho memória olfativa. As lembranças de situações me voltam à cabeça como um pensamento sobre um resquício de ontem. Não importa o tempo que passe. A situação se desenha na cabeça com todos os detalhes, inclusive informa o que se sentia naquele momento e como se comportava o ambiente/cenário desse momento tão importante. O cheiro também funciona como um índice já que indica, faz referência a um adjetivo que qualifica outrem de um jeito bom ou ruim, ou uma combinação das duas coisas.



Pessoas fedorentas sáo um horror. As sem cheiro não me atraem. As com determinados cheiros me repelem. O cheiro revela a personalidade da pessoa. O problema disso tudo é que eu sou muito preconceituosa e acabo me influenciando muito pelo aparente. Quem me conhece, sabe que no primeiro momento sou uma mulher calada, quieta e muito discreta. Isso não funciona apenas como uma capa neutra. Acontece que sempre no "primeiro momento" não faço outra coisa a não ser observar. Mas esta observação é muito discreta e totalmente espontânea. De tanto observar os tipos, percebi que as pessoas não obedecem um padrão como se vestissem o memo uniforme, mas de acordo com o gosto, aumenta o número de assessórios em comum.

Vi alguém pela primeira vez.

Análise. Isso. Eu faço uma análise. Só o rosto já diz várias coisas sobre o seu dono. Um piercing, o jeito da sobrancelha, o corte de cabelo (e a cor também), o batom (ou a ausência dele) já funcionam como índices importantes. Descendo os olhos para o tronco... A camisa ou o princípio de um vestido/macacão: mais índices. As camisas com estampas/cores quentes revelam homens muito diferentes daqueles que usam camisa básica, de botão, lisa ou xadrez. São vários os significados de uma camisa de botão:

camisa de botão + calça colada = indie
camisa de botão + calça normal = homem charmoso
camisa de botão + calça/bermuda normal em senhores = aposentado
camisa de botão + calça colada na coxa = ceboleiro

Eu poderia discorrer sobre os vários tipos como as ladies que escutam aviões do forró e compram roupa na @bsoluta, usam sapato plataforma de salto e umas bijous mais do que kitsch como aqueles brincos que batem quase na cintura. Ou mesmo os lelésquis que falam todos no coloquial, usam uma bermuda florida ou calça jeans apertada na coxa com um sapatênis ou uma havaiana (geralmente a branca). Sem contar o colarzinho de miçanga rente ao pescoço, cabelo batidinho com um princípio de topete ou com "luzes", numa simulação de cabelo de surfista queimadocomparafina.

O meu tipo preferido é aquele que apresenta sempre um sinal de nerd. Alguma vez na vida já jogou videogame, RPG, na escola era sempre o melhor amigo, o moleque engraçado ou tímido que só queria brincar e nunca se preocupava em pegar ninguém, ou siplesmente porque faltava coragem. Nesses aí as meninas raramente prestavam atenção porque sempre se interessavam pelo presidente do grêmio.



O nerd tem um estilo próprio. Ele não segue a moda, embora não deixe de adotar algum acessório/peça de roupa não muito kitsch com o qual tenha encontrado uma identificação. O nerd é inteligente. Não porque estuda demais, mas porque simplesmente saca de alguma coisa. Fala o portugês bem próximo do correto, tem opinião própria porque refletiu, nem que seja por alguns segundos, sobre uma situação que vai além da sua ilharga. Ou escreve bem, ou entende de cálculos, ou os dois. (Faz conta com muitos número, de cabeça, e dá o resultado correto. Ou esreve aquele texto com as palavras tão bem colocadas e, o melhor de tudo, engraçado. Tem coisa mais excitante?) Ou gosta de música, ou de cinema, ou dos dois e fica tão lindo comentando sobre filmes se referindo a eles como o filme de tal diretor e mais lindo ainda quando segura a guitarra tão bem e toca aquela música que acaricia a alma.

O nerd é criativo, engraçado, tem a grande habilidade de extrair da gente risadas homéricas que relaxam o corpo inteiro. Tem seu próprio jeito de amar, de seduzir e o fazem de maneira muito personalizada e surpreendente. O beijo do nerd é carinhoso, aconchegante e enche a nossa barriga de borboletas. Ele é sempre um bom namorado. É atencioso e quando ama, o faz de um jeito que nos sentimos as mulheres mais lindas e desejadas do mundo. Isto porque o nerd gosta de mulher e presta atenção nos detalhes que eu acho importante: jeito, modo de falar, de pensar...


A barriga do nerd não é desleixo. Ela existe simplesmente porque ele curte as coisas boas da vida sem se preocupar com a aparência porque sempre terá uma mulher interessante que o achará lindo do mesmo jeito. O nerd é um pão, o nerd é lindo, o nerd é demais e sempre deixa a gente arrasada quando a relação acaba porque sempre o pensamento remanescente é o de que nunca encontraremos ninguém igual, mas a gente sempre acha os nerds, ou eles acham a gente. Eles são raros, mas estão espalhados mundo afora.

sábado, janeiro 16, 2010

Cuidar.



Use protetor solar. Alguém já disse isso belamente e aqui ratifico a importância de cuidar de si mesmo e principalmente do outro. Importar-se. Não precisa nada de mais, é só enxergar e respeitar o outro. Mas nem é tão simples assim.

"Pra insano só se for contigo." Eu disse para uma das pessoas da minha lista de VIPs. Quando gostamos, queremos dividir, sorrir junto, dançar junto, dormir junto, encarar uma praia deserta sem o mínimo receio se o prazer existirá porque quando estamos juntos, o prazer é tudo o que temos.

Infelizmente muitas vezes o outro não quer receber todo amor que temos para dar ou não dá conta de lidar com esse amor saudavelmente. Neste último caso qualquer desagrado que acometa um dos dois é motivo para grandes desgastes que começam com uma cara emburrada e terminam em noites desagradáveis com discussões sem hora para acabar.

Para que embolar o meio de campo? Aceitar o outro é tarefa muito complicada e às vezes nos causa dores, mas tudo é uma questão de se ter um objetivo em mente.

Um dos grandes problemas da humanidade atualmente é a falta de consciência de si mesmo. As pessoas simplesmente não se conhecem. Agir em conformidade com o saber é trabalhoso. É difícil entender claramente porque fazemos determinadas coisas. Entendê-las demanda o esforço enorme de olhar para trás e enxergar como construímos nossas significações. Explico. Se a referência que tenho de amor homem x mulher implica em uma relação possessiva na qual nenhum dos dois tem respeitada a sua individualidade e o dia a dia é repleto de cobranças, muito provavelmente agregarei às minhas relações este tipo de relacionamento a não ser que, analisando que isso tudo na verdade é doentio, aprenda a ter um terecoteco saudável. Ah, a resignificação!



Não basta saber o que estou fazendo. É necessário saber onde quero chegar com este terecoteco. Tudo para evitar mágoas em potencial. Sempre um dos dois acaba se envolvendo demais e o que era lindo repentinamente vira uma tragédia. Não faças ao outro o que não gostarias que fizessem contigo. É assim que funciona. Uma observação: a tolerância vem a partir do momento em que aceitamos o outro como ele é. Modelá-lo de acordo com a nossa preferência só pode dar errado, mas isso não deleta o fato de que é necessário cada um ceder de um lado para que a covivência em dupla dê certo.

Ciúme. O ciúme tempera a relação, mas quando excessivo "enfeiura" qualquer belo momento. Não pode também jogar o outro no pisão e oferecer o teu parceiro para todos só para dizer que você é moderninho. No final da história as pessoas acabam se magoando quando se trata de caminhar pelos dois extremos.

Ter confiança não é fácil. Especialmente se o outro te dá motivos gritantes que denunciam que você está numa roubada. Seja porque ele aparentemente te joga no pisão, seja porque te prende de todos os meios com medo de perder, viver os dois extremos só pode não acabar bem. O medo e o receio atrapalham muito a relação. E não pense você que o problema está no outro. É muito fácil apontar o dedo. Não importa o que você sinta. Seja sincero, afinal suas condutas podem causar dores aquele que agora segura a sua mão.

Cuide.