terça-feira, abril 27, 2010


Os bem casados já repousavam em seus lugares. Imitando os biscoitinhos da sorte, traziam um recado motivador. O dia nasceu nublado. Uma pena? Chuva no dia do casamento traz sorte. Ao menos é o que dizem. As louças usadas no casamento da sua avó estavam lavadas e empilhadas, prontas para o pessoal do Buffet levá-las lá para fora, onde seriam arrumadas nas mesas, arrumadas com toalhas beges e mimosos arranjos de flores.

Naquele conjunto de porcelana, os pratos tinham várias estampas florais. Resquícios de art noveau de mais de um conjunto de louça. O tempo faz as peças se quebrarem, serem perdidas. Para atenderem a demanda de convidados, a solução foi juntar todos os pratos, inclusive os de sobremesa. Ela queria tanto comer a primeira fatia do bolo dos noivos em um daqueles pratos...

Sempre quis um casamento simples, com poucas pessoas. O suficiente para ter tempo de conversar com todos eles e mostrar o quanto estava feliz. O jantar seria servido em uma área com metros quadrados suficientes para acomodar as pessoas mais amadas daqueles dois. Os noivos quiseram que todos ficassem próximos para sentirem de imediato a sensação de pertencerem a uma única família.

O sol apareceu. Estampava o céu de uma tarde linda quando ela entrou no chalé com paredes de vidro, de onde se sentia o vento que vinha da praia. O balançar das árvores complementou a vista linda daquele momento. Casava direitinho com os pontos de luz que enfeitavam o chalé e com as flores que tornaram a mesa um lugar tão aconchegante.

Ela andou até ele como quem não precisa do pai para ser entregue ao futuro marido. Mas só para respeitar a tradição, seguiu em frente, de braços dados com outro homem que amava desesperadamente. O vestido de um tecido leve dançava com o vento. Inexplicável a sensação que aquele peito sentia. O homem mais lindo e amado do mundo esperava a poucos metros. Ansioso, claro. Inexplicável o brilho nos olhos dos dois. Deram as mãos. Trocaram alianças. Sentiram-se abençoados.