domingo, junho 27, 2010

Os inúteis testes vocacionais




O sol. Quando o sol brilha forte na minha janela e sinaliza que mais um dia chegou, eu desligo o ar condicionado. Ainda meio zureta por causa do sono, lavo os cabelos sem nem ter ideia do que vai acontecer. Já fui surpreendida com um engarrafamento de três horas, com pautas que me levaram a lugares e pessoas interessantes, com a bateria do carro que me deixou na mão, com o sentimento de medo que faz tremer as pernas diante de uma situação que, na escala de consumo de coragem - teoricamente - demandaria menos sangue frio.

Eu gosto dessa vida. Quando ainda estudava Direito, achava totalmente sacal a rotina dos escritórios, gabinetes e dos papeis cheios de mofo dos processos cujas folhas parecem aumentar em progressão geométrica. A palavra concurso público me arrepia os cabelos. Trabalho concursado, pra mim, é sinônimo de rotina e eu odeio a ideia de saber mais ou menos tudo o que vou viver em um dia. Embora o imprevisível também cause dor de cabeça, resolver impecilhos é muito prazeroso, sem contar o prazer de uma boa surpresa.


Estou próxima dos meus 26 anos, tenho apenas uma graduação, formação em inglês, francês e um pouco de prática da língua do p que têm pouca utilidade atualmente. Seriam mais interessantes as pessoas que pouco sabem sobre o que querem, aos 25 anos? O curioso é que foram em vão meus testes vocacionais que comecei a fazer desde os 13 anos. De repente, a escolha de mudar de profissão tinha um propósito inconsciente do ambiente de trabalho ser algo familiar ao "ambiente" emocional: incerto, cheio de imprevistos e com um futuro próximo totalmente desconhecido.

É bom saber sempre o que quer e seguir um caminho reto, sem desvios e rotas alternativas? Isso eu nunca vou descobrir. Como alguém disse, "tenho o pé no chão porque sou de virgem, mas a cabeça, gosto que avoe". A cabeça sempre me leva pra longe, um longe que eu não sei onde será, só sei que irá existir. Agora o sol bate na minha janela. Mas desta vez sinaliza que o dia está terminando. Não lavo os cabelos, mas também não tenho a mínima ideia de como vai acabar essa noite. Eu aguardo ansiosa pra descobrir.