segunda-feira, outubro 25, 2010

Buenos Aires

fotos: Andressa Gonçalves e Filipe Faraon



No meio do caminho tinha um sol lindo que se punha sobre as nuvens que deixaram Guarulhos nublada. Voamos para Buenos Aires naquele início de noite. Primeira vez que ambos deixamos terras brasileiras. O "novo" começou desde que entramos na sala de embarque internacional e nos postamos na fila com pessoas encasacadas e bem vestidas. Passar pela fila da Polícia Federal até receber a permissão para voar para longe foi uma deliciosa espera. Mesmo cansados por causa do SWU toleraríamos os quilômetros a serem percorridos até chegarmos em Buenos Aires.


A aeromoça borrifou o spray para higienizar a aeronave. Um procedimento com o intuito de inibir a viagem de microorganismos brasileiros. Desta vez, descansamos melhor em poltronas mais confortáveis e com um espaço maior para esticar as pernas. Pousamos. Pegamos os mochilões e fomos para a fila da imigração. Durante a espera, já nos divertíamos com as placas em espanhol. Baños, salida, cambiar monedas. "Desculpe las molestias", dizia um aviso sobre os eventuais transtornos que poderiam causar as obras do aeroporto de Ezeiza. Os primeiros contatos com a língua que não falamos tivemos com o funcionário da imigração que nos permitiu transitar livremente na Argentina. "Arriba! Arriba!", diziam empolgadas duas garotinhas, pedindo a um homem alto que as carregassem, já fora da sala de desembarque. Argentina!

Eles falam um pouco rápido, mas foram pacientes e atenciosos conosco. Conseguimos nos comunicar dentro do possível e naquela semana fizemos o que tínhamos que fazer. Nos divertimos e passeamos por lugares belíssimos.

Caminito.


Uma rua que se bifurca. Em cada ruela, um lado do conjunto de casinhas de dois andares. Chamam atenção pelo colorido e a pluralidade de objetos decorativos, acessórios, lembrancinhas, broches, camisetas, postais e tudo o que possa fazer referência a Argentina. Uma loja é do lado da outra. De tantas coisinhas que estão à venda, às vezes é preciso cuidado redobrado pra não derrubar nada. Há lojinhas muito pequenas. Com espaço pra três pessoas além do vendedor. "Quanto custa?". Eles aceitam Real e dão até troco em Peso. Pra gente, o dinheiro se multiplica. Trocamos um real por mais de dois pesos, em uma casa de câmbio. Nas ruelas do Caminito os artistas cantam e dançam tango. Também aproveitam para vender suas pinturas e artesanatos. Os restaurantes decoram uma das ruas com suas cadeiras e mesas com sombreiro. O cardápio oferece muitas opções de pratos de carne com batata. Pollo (pojo) - frango - na maioria das vezes.

O Caminito fica próximo a Bombonera. Os argentinos adoram futebol e cultuam o Maradona de maneira extrema. A camisa do Botafogo do beibe fez o maior sucesso nas ruas do Caminito. "Botafogo!". Ouvimos de alguns argentinos. Curioso que os que exclamaram foram senhores. Um homem maduro, com menos de cinquenta anos, vestia uma camisa do Flamengo. Ele sinalizou pra gente o seu time brasileiro do coração. Maior surpresa pra gente foram os três argentinos que reconheceram a camisa paraense bicolor. Em três momentos diferentes, mostramos a camiseta que carregamos na mochila durante os dias que ficamos em Buenos Aires. Eles viram e disseram risonhamente: "Paysandu!". E o beibe lembrava o jogo que o papão venceu do boca, na Bombonera.

A Bombonera é um estádio que lembra um prédio. As cores são inspiração da bandeira da Suécia, de um barco que ancorou em Buenos Aires. Quando o Boca foi fundado, não tinha cor para o time argentino. Foi então que os fundadores decidiram que a camisa da equipe levaria as cores do primeiro barco que ancorasse no porto. Suécia! O estádio foi construído em um espaço pequeno, o beibe acha que esse é o motivo que explica a Bombonera ter a arquibancada quase toda vertical.




Passeamos pelo caminito e almoçamos em um bar em frente a Bombonera. O bar estilo taberna é todo decorado com bandeiras e faixas do Boca. Ah, tem bandeira do Santos, também. Comemos um pollo con papas - batatas. Temperado com um molho de ervas muito saboroso. Bebemos uma Quilmes litrão. Como é gostoso tomar cerveja no frio. Embora com um sol e um céu azul lindíssimo, a temperatura em Buenos Aires estava um pouco baixa. Em média, uns 17 graus. Em Buenos, aliás, não há tanta cerveja nacional como aqui no Brasil. Em todos os bares e restaurantes tinha Quilmes. Uma cerveja deliciosa.

Foi um dia agradável que desfrutamos na presença da pernambucana Tereza. Conhecemos ela no hostel, durante o café da manhã. Depois eu falo mais da Tereza. De lá, nos separamos. Pegamos o mesmo ônibus. Ela desceu na Casa Rosada, sede da presidência da República Argentina em Buenos Aires. Nós seguimos para o estádio Monumental de Nuñez, sede do River Plate, onde assistimos ao jogo entre eles e o Gimnasia, de La Plata. Mas isso eu conto depois.