domingo, dezembro 19, 2010

Pensando em voz alta.

Sempre gostei de ouvir histórias. Quando criança, brincar de ser professora foi um dos meus passa tempos favoritos. Hoje, gosto de contar histórias e de transmitir conhecimento para as pessoas. Por isso escolhi o jornalismo como profissão. É maravilhoso informar, comunicar. Quem sabe das coisas, vai longe em suas conquistas e na imaginação. Crescendo com os livros nas mãos, os discos de historinha na vitrola e as fitas dos filmes no vídeo cassete, descobri que a melhor maneira de aprender é tendo prazer. Tão legal quanto o professor que ensina divertindo os alunos, é falar sobre um assunto de forma tão simples e direta que quem o escuta conta para o próximo como se tivesse escutado uma piada engraçada: sem esquecer nenhum detalhe importante.

Sou filha de pai arquiteto e mãe psicóloga. Cresci no meio termo. Entre a precisão e a subjetividade, sempre flertando com a linguagem artística. Me relacionando bem com números e letras, aprendi que é gostoso conhecer e apresentar pros outros também. Minha curiosidade sempre me fez amiga dos por quês. Impressionante como algo desconhecido me causa comichão. Uma inquietação aliviada conforme respondo meus questionamentos sobre o assunto. Quando descubro que é algo interessantíssimo, uma empolgação me acomete. Excitada, sempre vem a exclamação: as pessoas precisam saber disso!

Observadora, desde os primeiros anos do colégio percebi que alguns professores poderiam ser mais apaixonados por dar aulas. Lamentava não aprender as lições com um pouco mais de música, filme, teatro, desenhos e massa de modelar. Coincidência ou não, aprendi com um entrevistado, já adulta, que a linguagem artística é sim um instrumento da educação. Uma pena os educadores ainda se aterem apenas ao lápis e o papel. Na faculdade de Direito aprendi que o acesso à informação é direito fundamental. Isto explica porque é tão importante a liberdade de expressão. Na faculdade de letras entendi porque ler faz das pessoas seres humanos melhores. Na de design, compreendi a importância das formas e das cores. Estudando comunicação social vi como todos esses cursos se complementam porque tudo na vida gira em torno de emitir mensagem e receber mensagem, compreendendo-a. Ou seja, desde que nascemos, respiramos comunicação.

Unindo a minha habilidade de escrever e a paixão por texto escrito com a minha vontade de saber das coisas e ensiná-las para os interessados, decidi ser jornalista. Até ter certeza sobre a vocação, me formei em Direito e abandonei os cursos de Letras e Design, mas que foram importantes nas poucas lições que me ensinaram.

O mais gostoso do jornalismo é ser repórter. A ocupação tem a conversa e os questionamentos como os principais instrumentos de trabalho. Continuo perguntando demais. Me interesso pelo dia a dia da minha empregada doméstica que ficou viúva recentemente - com dois filhos pré adolescentes - aos 30 e poucos anos. Quero saber sobre as políticas públicas que colocarão em prática os artigos do Estatuto da Igualdade Racial. Entender como a célula sintética vai contribuir para a humanidade. Compreender porque o brasileiro elegeu uma mulher só porque ela está por trás de um homem.

Quero saber e contar para as pessoas. Com texto e imagem. No papel e na web. Comunicar e instigar meus leitores a refletir sobre sua própria realidade, ajudando a construir uma opinião pública mais consciente. Incentivar o debate, a discussão. Fazer as pessoas pensarem e tirarem suas próprias conclusões. Porque pessoas bem informadas querem mais informação bem apurada e bem escrita. Textos que aumentarão ainda mais o desejo delas de saber das coisas. Um ciclo vicioso saudável. Maravilhoso para o jornalista inquieto com o cotidiano, questionador da sua própria realidade e doido para investigar.