quarta-feira, janeiro 19, 2011

O idiota

O estômago arde, ronca e dói. Outra crise de gastrite nervosa provocada por problemas que ele poderia ter evitado. Problemas daqueles que vem de graça, como um bônus ingrato. Pra ele ,ela é linda. O diverte, o distrai, lhe faz bem e muito mal. Isso explica o desconforto que lhe ocupa o estômago a maior parte do dia. Mas a dor ele procura ignorar.

A situação não é estranha. Ele já viveu isso antes. Enquanto a maioria das pessoas se esforça pra ter melhor qualidade de vida, ele pega a arma, puxa o gatilho, mira no pé e atira. Se ainda tivesse alguém pra ajudar a fazer o curativo... Tão bobo e sem amor próprio. Incoerências que nem ele compreende. Estar com ela parece ser compensatório. No mais, ele não tem coragem de deixar pra trás. Babaca.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Aponte o dedo e escolha quem vai pra fora!




O Big Brother Brasil começou e eu ainda não parei para assistir um dia que fosse. Vendo flashes constatei que não teve nenhuma novidade de imediato. A casa está cheia de mulher gostosa, homem sarado e gente feliz da vida (preconceito?). Mas uma coisa me chamou atenção no primeiro dia do BBB.
Eu estava em um bar de Belém que disponibilizou duas televisões sem audio para o público assistir à estreia do programa. Da minha mesa gritaram "traveco!", insistentemente, assim que Ariadna entrou na casa. No Twitter, foram várias as piadas sobre a moça. Digo moça, porque, embora ela tenha aparelho reprodutor masculino, se sente mulher e tem feminilidade. Foi então que eu percebi que algumas pessoas próximas são mais preconceituosos do que eu imaginava. A discriminação é tão forte que acho que a gente nem se dá conta do problema que isso causa.
Confesso que eu não comprendia o drama dos transexuais até entrevistar um. Uma moça jovem, estudante de psicologia, que sofre diariamente ao olhar o pênis no corpo cuja essência é feminina. Ela se sente mulher desde criança, mas como nasceu com órgão sexual masculino, foi tratada como menino. Assumir a identidade feminina, assim como Ariadna, separou essa moça da família que não aceita "o homem ter virado mulher".
As piadas sobre a condição sexual da Ariadna não param (a intolerância é a mesma com a participante fora dos padrões de beleza da Playboy que, mesmo assim, se sente gostosíssima). Acredito que muitos falam estupidez a respeito sem nem mesmo perceber o grau de pateticidade. Não estou dizendo que a realidade dos transexuais deva nos parecer simples e aceitável e nem que devamos encarar com naturalidade. Seria hipocrisia porque é diferente. É difícil até compreender como um homem pode se sentir mulher e vice versa. Mas já imaginou o quanto devem sofrer essas pessoas? Não entendo o transexualismo como uma questão de opção. Você simplesmente nasce com o sexo diferente da sexualidade. Ariadna não é gay. É uma mulher que nasceu com aparência masculina.
O mais curioso de todo esse início do BBB11 é o primeiro paredão. Três negros. Um deles é gay e outro transexual. Pode até ser que os escolhidos não tenham nada a ver com o fato de serem negros ou minoria na casa. Mas chama atenção. Não tive como não assumir a possibilidade da discriminação e do preconceito terem sido cruciais na formação desse paredão. Principalmente porque pessoas próximas a mim têm gritado que não toleram Ariadna. É interessante conhecer para fazer um juízo a respeito das coisas. Assim a gente desconstrói preconceitos.
Não sou politicamente correta e nem desprovida de preconceitos. Sei que meu esforço é insuficiente para desconstruir conceitos pré-concebidos. Que os religiosos entendam que o transexualismo não é coisa de Deus, que os machistas digam que o transexualismo é coisa de gay, que todos tenham uma opinião a respeito. Mas a manifestação de pensamento não deve ser agressiva e nem ofender. Cada um tem o direito de ter opiniões, mas que tenha o dever de conhecer para depois se manifestar a respeito.
A verdade é que só quando a gente é discriminado é capaz de refletir melhor sobre atos preconceituosos. Sou nortista e senti isso ao me chamarem de "baiana", em São Paulo, e "paraíba", no Rio de Janeiro. Nada contra baianos e paraibanos, mas contra aqueles que fazem desses adjetivos ofensas. Todos apodreceremos e federemos da mesma maneira depois de mortos. Eu realmente não acredito que haja alguma diferença genética importante que qualifique esse ou aquele fenótipo como o melhor, ou mesmo a cidade de origem (babaquice!). Tudo é uma questão cultural, no meu entendimento. Não sei como o público usará o seu poder de escolha ao apontar o dedo na cara do primeiro rejeitado do BBB11, mas assumo a possibilidade da negra heterossexual ser colocada pra fora. Entre os três emparedados ela acaba sendo "A" diferente.




segunda-feira, janeiro 17, 2011

Belenzita, me perdoa, mas o que eu sinto é uma tremenda vontade de partir. Tuas ruas arborizadas, tuas ruas de água, teus gostos e cheiros eu amo demais, mas tenho uma sensação de não pertencer a ti.

Hoje à noite, caminhando pelas ruas onde andei só de calcinha, numa infância na qual era possível andar de bicicleta na João Balbi, lamentei. Não faz mais sentido. A alegria que eu tinha quando voltava pra cá, pequena, depois de passar o ano todo em outra cidade, sumiu. Infelizmente valorizo a ignorância e má educação das pessoas. O clima quente e úmido que me deixa com cara de pão doce e me deixa esgotada. A pouca afinidade que eu tenho com a maioria das pessoas.

Eu nasci numa terra com a qual não constituí identificação. Uma pena. Admiro a cultura, mas não me identifico. Belenzita, me perdoa.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Ansiosa? Eu não espero.

Mulheres com atitude e feminilidade sempre me chamam atenção. Essa moça estava na plateia de um show no Hangar. Amei a camiseta. Diferente como ela. Imprimiu no look um pouco da personalidade. Nem a conheço, mas especulo que seja uma personalidade forte.

Quando mulher está na adolescência, ficar com um rapaz é algo complicadíssimo. A insegurança natural a essa fase da vida faz o sexo feminino enxergar em si um monte de defeitos. Só depois que a gente cresce que vê o quanto éramos lindas e nossos peitos mais em pezinhos. A gente espera o menino olhar, o menino chegar, o menino abraçar, o menino beijar e o menino pedir pra namorar. A inércia de esperar por tudo isso pode ser justificada pela cultura machista da sociedade brasileira e ter outras explicações.

Não tenho irmã. Uma pena. Se eu tivesse uma irmã mais nova, ensinaria mais rápido algumas coisas que aprendi sozinha, vivendo, e graças a um bando de homem otário com os quais vivi também coisas delicinhas. Mostraria que mulher deve escolher e não esperar pra ser escolhida. “Maninha linda do meu coração, chegou na festinha e quer um colinho? Avalia todo o conteúdo da festa, escolha um descompromissado, chegue, converse, dance, beije, mas só troque telefone e o MSN se você estiver realmente interessada.”

Curiosamente, dou minhas dicas pro meu irmão caçula e primos mais novos. Eles ainda têm aquele insegurança natural da inexperiência. No pacote vão as dicas sobre como tratar bem uma mulher e não desrespeitá-la como filhos da puta já fizeram comigo e todas as amigas (sempre tem um filho da puta). Sem feminismo, nem radicalismo. Se eu soubesse que homem cede tão fácil, teria experimentado outras delicinhas quando tive vontade, mas me faltou coragem.

Conversando com uma amiga-irmã que já conhece um bocado do mundo e de homens estrangeiros, ela me solta: “Não precisa ser bonita, não”. Basta se amar e se achar a mulher mais gostosa, escolher e ficar com ele. Foi assim que ela escolheu o futuro marido. A maluzinha, minha filhota que ainda não foi concebida, vai aprender que mulher pode. Que mulher escolhe, que mulher rejeita e que mulher não aceita.

O curioso é que eu ainda vejo um monte de mulher cheia de frescura e sem atitude. Prefere dormir babando de vontade do que ir atrás do que quer. Homem com frescura, com medo de se envolver, também tem aos montes. Mas a gente só entrega o coração uma vez. Quando toma de volta, já era. É bom prestar atenção pra não deixar passar e perder, porque quando vai embora, já era, já era, já era e isso é válido pra tudo nessa vida.

sábado, janeiro 01, 2011

Meia noite e diz: "uhuuuuuu"!

Pé de pato mangalô três vezes. Não adianta fazer figa, entrar com pé direito na casa de Santos Dumont e colocar a carranca na proa do barco pra espantar os seres misteriosos que vivem no rio. Se tu não cuidaste de fazer o esforço pra ser uma boa pessoa pro teu próximo, já era pra ti, nêgo (a). Bater ponto na igreja, fazer reza, batucada, deixar vela, cerveja e batom na encruzilhada também não surte efeito. Yemanjá também não vai ser boa contigo só porque tu jogaste no mar primorosas oferendas e entraste o Ano-Novo todo trabalhado na roupa branca.

Coisa mais difícil é olhar pro próprio umbigo e reconhecer: sou um (a) babaca. Fácil é xingar no Twitter, tocar o terror falando mal dos outros, apontar a pisada de bola alheia e puxar o saco de quem queres ter o apreço. Te toca, mana (o). Não precisa lamber as bolas, enxugar e depois passar talquinho.

Realmente é complicadíssimo enxergar o próprio defeito. Narciso acha feio o que não é espelho e só percebe o que tem de bom. O belo é sempre mais atraente. É sim. Já que, quando muda o ano, uma galera faz listinha de metas pros próximos doze meses, inclua no topo da lista, acima da dieta e da academia, uma avaliação das suas condutas com as pessoas que são próximas a ti. Tens respeitado? Ajudado? Sido solidário? Egoísta? Um pé no saco? O rei, a rainha do buchão? Reflita e se torne alguém menos pé no saco. Feliz Ano! Que aproveitemos 2011 mais do que 2010 só pra garantir caso o mundo acabe em 2012.