quarta-feira, março 23, 2011

Meu disk MTV

Conversando com o namorado, ele me falou sobre sua curiosidade acerca de dez músicas que marcaram a vida das pessoas. Assim como ele, concordo que a música faz parte da identidade e da história de cada um. O difícil é fazer esse top 10. epecialmente se você nem é tão novinho assim. No post sobre as dez músicas que construíram o caráter dele, beibe conta essa história. Atendendo ao pedido dele, bati cabeça, revirei o baú e lá vai.

Quando eu era bebê, meu pai conta que um indicativo de que eu tinha acordado era o meu piu piu entoar a melodia de Raindrops Keep Falling On My Head. A combinação meiga de letra + arranjo + melodia me encantou quando escutei a versão original, ainda criança. A música faz parte da minha história e eu me emociono toda vez que a escuto porque é a cara do papai. Respeitando a ordem cronológica, esta ocupa o primeiro lugar.

Já na época em que era crescidinha, mas ainda podia andar na João Balbi só de calcinha sem fazer alarde, o Tears For Fears entra pra carimbar com Everybody Wants To Rule The World os quase quatro anos que morei em São Paulo no início da década de 1990. Uma época feliz que passei alguns sábados no play center, fiz piquenique no ibirapuera e no horto municipal e andei de bicicleta com meus amigos aos domingos.

Early 90's, já de volta a Belém, o jeito descontraído e nada convencional do 4 Non Blondes chamou minha atenção e do tio Marquinho, meu eterno bateristas favorito. Ele lembrava o Slash, do Guns. O que eu achava o máximo porque Guns in Roses é uma das minhas bandas favoritas. Eram só aqueles acordes iniciais de What's up tocarem que eu me sentia em êxtase. Uma delícia. Aliás, o tio Marquinho curtiu muito rock. Tinha uma banda e me apresentou o Scorpions, Iron Maiden e tantos outros.

A eletrola dele estava quase sempre ocupada lendo guitarras, baixo e bateria de algum vinil. Todos os dias ele me acordava da sesta com a música que difratava da sala de ensaio dele até o meu quarto. Rock tocando era sinal de levantar e fazer o dever de casa. O curioso é que as crianças da minha escola também adoravam essa música. Quando tocava na Jovem Pan - rádio preferida do ônibus 3 da Ibifam - era mais quem pedia pro tio Espedito aumentar o volume pra cantar em uníssono. Lindo!

O tio Marquinho morreu em 1994, mas o irmão dele - o meu pai - continuou me influenciando com o melhor da combinação guitarra, baixo, bateria. Ele acordou várias vezes a mim e aos meus irmãos para ir pra escola ao som de Led Zeppelin, vez ou outra rolava um clássico erudito. Mas do Zeppelin, fica a lembrança de Tangerine que marcou principalmente a minha adolescência. Um desejo que eu tinha de viver no meio de gente que curtisse o mesmo estilo. No meu colégio da época só tinha micareteiro e pagodeiro. uó!

Uma pausa no estrangeirismo. Apresentemos um combo! A música brasileira também faz parte da minha história. Menos do que eu gostaria, mas faz. Mas as que me marcaram estão longe do que eu gosto de ouvir. São hits de verão/carnaval/férias que não têm como não escutar porque são tocados insistentemente. Sabe como é no Pará. E toda vez que essas músicas tocam, todo contexto daqueles anos volta. Cheiro, pessoas, situações, sentimentos. São três: um axé (férias em Soure de noventa e pouco), um brega (julho em salinas de noventa e muitos. Essa tem até clipe HAHAHAHAHAHA) e um forró (minha festa de formatura, em 2009. Essa eu me RASGO!).

Voltando às origens, Bidê ou Balde parece contar uma história minha. Boy Jorge marcou minha infância e eu EN-LOU-QUE-ÇO quando toca essa música. Bem que os DJs cults poderiam incorporá-la no set list. O Cake marcou a adolescência e um pedaço da atualidade. Uma das melhores músicas contemporâneas, na minha opinião. Não foram dez músicas, mas foram "cerca de". A lista é grande. Tem MUITA coisa que marcou. Mas aí eu deixo prum outro post.


domingo, março 20, 2011

Pode fazer xixi na calça?

Há um mês de bico calado por aqui por causa da vida offline esporadicamente casca grossa, volto para abir o meu bocão. Hipocrisia, conhece?

Xixi. O que me levou a escrever esse poste foi uma terrível vontade de dar uma mijada (no duplo sentido, até). Estava eu num bar point da cidade (Belém-PA) aproveitando a promoção do chope em dobro quando a bexiga apertou. A inibição do ADH me fez mover minhas lindas perninhas rumo ao banheiro do recinto. O estabelecimento que apresenta apenas um único mijatório feminino e outro masculino faz crescer a fila que fica quase do tamanho da fila de espera do SUS.

As mulheres - maiores recordistas no tempo de demora na visita escretórica - são sempre maioria nesta única fila que leva os seres humanos às duas únicas portas da felicidade que anunciam que o fim da pressão do xixi está próximo. O dito bar - mal projetado, diga-se de passagem - tem o banheiro próximo à saída da cozinha e do balcão de atendimento. Não bastasse esse encontro de ida e vinda de pessoas, no meio do trânsito ainda existe uma mesa - o pior lugar do bar, diga-se de passagem.

Já esperando alguns eternos minutos na fila do xixi, observo que uma dupla de mulheres e outra de homens que estava na minha frente entra junto no banheiro. Namorado comenta comigo a ótima maneira de otimizar o tempo e quebrar um galho pra quem tá quase pra mijar na calça, como eu estava. Pensei, se o banheiro masculino desocupar primeiro, você entra e eu entro junto, disse pro namorado. Dito e feito. Abriu a porta, entramos. Dois homens com mais de trinta anos nos olharam feio.

Aliviada, já na mesa, o casal que nos acompanhava na noite etílica comenta o auê que os dois marmanjos fizeram porque um casal entrou no banheiro. "Gente, hoje em dia pessoas do mesmo sexo também formam casal!", pensei. Eles achavam que a gente ia transar no banheiro? Pra mim é o único motivo plausível de indignação. Afinal, ocuparíamos o banheiro por mais tempo. Fora isso...

Noto que as pessoas às vezes não param pra pensar. Arrotam sentenças e censuras sem se questionar a respeito delas. As duas mulheres e os dois homens poderiam ter provocado reclamações. Mas porque justo um casal hétero? É esse tipo de coisa que eu não entendo. Mas mijar na calça pode.