sábado, abril 09, 2011

Para aliviar a dor, o pulo

Morfina não faz parar a dor do sofrimento. A premissa é uma constatação da noiva que se matou por causa do noivo. Viciado em cocaína, o noivo lutava contra a dependência, até que não suportou as dores da alma que lhe levaram ao vício e à dor física que as drogas provocam. Se jogou da janela do apartamento da noiva em janeiro desse ano.

A noiva o viu no chão do terraço do prédio. Desesperada, correu para o elevador. Chegou ao térreo, ajoelhou-se em desespero e implorou para ele não ir. Ele ainda respirava. estava com o rosto deformado. A emergência chegou, fez os procedimentos de primeiros socorros, mas não adiantou.

Ela morreu junto com ele. Disse que o corpo continuava vivo, mas o espírito tinha ido em bora com o noivo. Tentou voltar à rotina dos palcos paulistanos onde participava de uma peça infantil. Tentou se acostumar com o vazio do apartamento. Mas doeu demais. Três meses depois se jogou pela mesma janela.

"Deus perdoa quem morre por amor", ela disse na carta suicida que escreveu aos amigos, aos dois filhos, ao tio, à irmã. Mandou e-mail para um dos diretores da revista Caras, um de seus melhores amigos. Se desculpou, mas disse que não dava mais. "Ela me enganou direitinho. Parecia bem", disse ele em entrevista à revista.

A atriz pediu para ser enterrada junto ao noivo, mas não foi. O pai dela ficou sem jeito de pedir para dividir o túmulo porque os dois não eram casados. A atriz acreditou que morta, iria se encontrar com o noivo no plano espiritual onde daria aula de teatro às crianças. Pediu perdão a todos, mas a dor insustentável não cessaria nem com morfina. Ela se viciou na droga quando sofreu um acidente de carro e não morreu por pouco. A dor física dos ferimentos era forte demais.

No dia da morte, escreveu a carta, mandou e-mail ao editor da revista Caras e tuitou que a dor era insuportável. Horas depois andou em direção à janela e pulou. Morreu mês passado.