domingo, maio 01, 2011

e se foi

O quarto estava cheio de pisca-pisca. Luzes coloridas de natal que depois vieram parar na minha sala de estar. O meu telefone tocou: "Passa aqui em casa depois do trabalho. Quero conversar contigo". A contra gosto me dirigi aquele endereço que me lembra tanta coisa. Finais de semana felizes, sempre regado a músicas, comidinhas, filmes, seriados e muito amor, claro.

Cheguei na casa e ele me mostrou o quarto vazio, com pouca mobília e ainda assim muito bagunçado. "Meu coração está desse jeito", ele disse. E comparou o pequeno cômodo ao peito que batia angustiado e com um espaço livre depois de perder um amor. "Minha vida está desse jeito desde que foste", se dirigiu ao quarto do meio daquele segundo andar da casa enorme, "mas quero que minha vida seja assim...Fecha os olhos".

O quarto estava todo decorado com luzes natalinas. Pisca - piscas que vinham do teto, passavam por todas as paredes, pela cama de casal, chão. Um colorido que me travou a fala. Tão lindo...Quantas luzes! Sobre a cama, muitos chocolates - todos os meus favoritos -, chumaços de algodões coloridos, fraldas de bebê, brinquedos, fotografias, nossos bichos de pelúcia (presentes recíprocos para os quais dedicamos preciosos minutos para escolher os nomes).

Enfim ele gritou pra mim da forma mais poética o que eu sempre quis escutar. Construiríamos nossa vida juntos. Estávamos na ante-sala do pedido de casamento. Mas a aliança que não mais estava no meu dedo direito continuava sem fazer sentido. E eu me odiei por não querer mais aquilo. Ao som das músicas que marcaram a nossa história eu disse "não". Deixei pra trás o quarto lindamente enfeitado, pensado com todo amor pra mim. Só me restou o aperto no peito e o rosto vermelho por causa do choro.

Desencontros desconcertantes, desencadeadores de discórdias e desídias. Definitivamente dilaceradores.