segunda-feira, agosto 01, 2011

em casa

a geladeira

Pode ser a menor casa que for. Quando habitada por uma pessoa apenas, fica enorme. Uma imensidão que a gente faz de um tudo pra preencher. A saudade da casa cheia de gente impera. Impera a saudade da muvuca na cozinha, da mesa de oito lugares.

Não há gritos de crianças pintando o sete, nem de vozes masculinas comemorando um gol, nem bebê chorando, nem o som da discovery kids. O que restam são outros prazeres, prazeres menores, como o cheiro do refogado, do alho e do azeite que enchem o coração de felicidade. E que bom que enche! O cheiro da roupa limpa que a gente mesmo lavou. O cheiro da casa limpa que a gente mesmo limpou.

Da muvuca da casa cheia restam um prato, um talher, um copo, um jogo americano. Panos de prato que são a nossa cara, lençóis que são a nossa cara, o canto pra chamar de nosso. Resta o despertador como o amigo mais presente, o homem do gás como o provedor da boa notícia e o carteiro que traz a felicidade da revista nova.

Até que descubramos outros prazeres aos poucos, nos sustentam esses de imediato, quebrando um galho quando a saudade invade a casa e chega até o peito.