terça-feira, outubro 25, 2011

Um ombro e fugir do mundo

Foto: Daniel Moraes



Procurar um ombro pra fugir do mundo...

Se estivesse despida de normas de conduta, me restaria apenas a certeza da satisfação dos meus
desejos e a permanência suprema do meu instinto de permanecer viva. Mataria, se preciso. Beijaria e ensaiaria o ritual de perpetuação da espécie com quem quer que me provocasse a libido. Me renderia à plenitude do estado natural humano.

Viveria em função de minhas pulsões. Bicho.

Procurar um ombro pra fugir do mundo.

Quando o tempo fecha e some o chão, desamparada fico sem nem ao menos saber pra onde correr. Isso se chama estar perdido. Pode o mundo explodir, pouca diferença faz se o solo que se pisa é norte ou sudeste. Na alma, pinta a sensação de ficar sem roupa no meio da multidão.

Encontrar o ombro e fugir do mundo.

Se teu colo é o pé de calmaria de onde brota o meu conforto, poderíamos estar até sob uma tempestade. Não me preocuparia nem o pior dos males. É nessa hora que mesmo fios de cabelo são fortes o suficiente pra tecer meu escudo, a linha tênue que separa a tormenta e a minha paz.

Nessas horas o amor é tudo o que me basta.

terça-feira, outubro 18, 2011

O esperador

Esperar cair do céu é muito mais cômodo. Nesses meus 27 anos de vida já cruzei com muitas pessoas passivas, daquelas que vêm a vida passar, de camarote e lounge vip. Uma resistência às vivências que até hoje eu não entendi. Outras esperam as coisas caírem do céu.

Elas aguardam o momento em que, por uma conspiração divina ou diabólica, a vida deixará na porta dela o problema resolvido e o sonho alcançado, via sedex e embrulhados pra presente. Há quem espere por milagres. Como eu sempre digo, se Deus fosse fazer algum milagre, atenderia causas mais urgentes do que aquelas que um pouco de força de vontade resolve. Então, nêgo, esqueça porque sua "graça" não será alcançada.

Preguiça mental, preguiça física, má vontade, covardia... São vários os fatores que, no meu entendimento, levam a pessoa a esperar as coisas caírem do céu. Soma-se à lista uma pitada de irresponsabilidade e indolência. O curioso (ou não) é que o tempo passa e os esperadores continuam na mesma, com os mesmos problemas e  com o número de insatisfações crescendo em progressão geométrica.

Minhas estatísticas constataram que dificilmente um esperador reage e muda de atitude. Acostumado a esperar cair do céu, algumas vezes é atendido. Curioso, não? E assim ele vai levando a vida. Hábil em causar problemas e se escorar nos outros, às vezes é considerado má companhia.