sexta-feira, dezembro 09, 2011

Quem sou eu e porque escolhi jornalismo como profissão



Cobrindo o show do Iron Maiden, fui rock star. Entrevistando Sérgio Dias, me
senti um Mutante. Batendo papo com o Fundo de Quintal, vivenciei os
primórdios do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro. Acompanhando enchentes,
senti a dor de um desabrigado.

Acordar e não ter a mínima ideia do que nos espera em um dia de trabalho.
Sempre foi meu emprego dos sonhos. Encontrei esse ofício trabalhando como
repórter e descobri que o jornalismo reúne dois motivos que mantém em mim a
vontade de viver cada dia: conhecer pessoas e contar histórias. Ambos fazem
valer a pena cada respiração, cada batimento cardíaco.

Preocupada com o "futuro", me ocupo com a escolha profissional desde os onze
anos. Planejei o curso de inglês, os inúmeros testes vocacionais e a
faculdade. Depois de cursar Design, Letras e Direito - o único curso até
então concluído - me flagrei apaixonada por jornalismo e cultura. Aos 23
anos comecei do zero, fiz vestibular, arrumei dois estágios e fui feliz
durante os quatro anos da graduação.

Antes disso me ocupei com minha banda autoral e com meu grupo de teatro
independente. Tentando fazer da vida algo mais atraente e aliviando a dura
rotina do contato com as leis. Estudei alemão e desisti de aprender a
língua. Me apaixonei por francês e me alfabetizei na língua. Eu e a minha
necessidade de comunicar. Ainda me lembro dos meus seis anos quando
entrevistava a família com o microfone da Xuxa. Ou gravava offs e sonoras no
Meu Primeiro Gradiente quando brincava de radialista.

O micofone me fascinou. Lembro de ficar hipinotizada a cada encontro visual
com aquele objeto cilíndrico cujo pom-pom mudava de cor frequentemente nos
programas de auditório da década de 1980. Com mais idade, descobri que, mais
do que um objeto visualmente atraente, o microfone era uma ferramenta de
projeção.  Curiosamente descobri esse potencial com as várias entrevistas
que dei na infância e adolescência. Minha habilidade em me expressar chamou
atenção dos repórteres, hoje meus colegas de profissão.

Viciada em manifestar minha opinião, sempre fiz questão de mostrar o que
penso. Também sempre fiz questão de saber o que pensam os demais.
Encontrando nas manifestações artísticas uma forma de comunicar, me
apaixonei por escrever sobre cultura e comportamento. O que me levou a fazer
atualmente a especialização em jornalismo cultural e multimídia em São
Paulo, onde moro há dois meses.

O ser humano me fascina. Descobrir um pouco desse ser racional e criativo a
partir de cada entrevistado virou um elixir. A cada resposta ao
questionamento do repórter, eles revelam um código linguístico que vai além
do que a pauta quer saber. São aspas e sonoras que revelam quem é aquele ser
humano, o que viveu e aprendeu e as boas histórias que tem para contar.

Falar sobre ele e suas vivências em textos jornalísticos virou uma razão
para estar vivo. É escrever o lide, é apertar o rec e as letras constituem
um conteúdo que proporciona vivências e sensações. A possibilidade de se
sentir um pouco aquele personagem, de se sentir parte daquela vida que não
nos pertence.
Depois de passar por quatro graduações, continuo não sabendo "o que quero da
vida" porque minha gula por novas experiências persiste. Por isso busco
sempre mais. Aliás, descobri um dia desses que isso é que é viver. Aos meus
27 anos recém completados descubro que viver é vivenciar cada dia.

O jornalismo me proporcionou acompanhar vivências de várias pessoas. Pedaços
de realidades que existem nesse mundo. Pedaços de realidades que chamamos
notícias. São histórias boas para serem contadas por serem interessantes,
atraentes, socialmente relevantes, peculiares. Histórias que muita gente
gosta de ouvir porque satisfazem a curiosidade, a necessidade por
informação.

Curiosa, quero descobrir essas histórias. Faladeira, quero contá-las também.
Sendo um ser humano interessado por boas narrativas e apreciador da espécie
humana, não poderia me atrair por outra profissão. Me cansando fisicamente e
intelectualmente trabalhando como jornalista, descobri que minhas energias
consumidas na redação fazem de mim uma pessoa muito feliz e insaciável.