segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Filmes exibidos em 2012 para se dar o "play"

O ano virou e a programação dos cinemas paulistanos deu de presente para quem mora na capital um leque amplo de boas narrativas. Dramas, comédias, aventuras e documentários cujas histórias emocionam e cumprem o dever catártico de levar o telespectador para as realidades sobre as quais tratam os longas-metragens. Filmes com temáticas abrangentes que contam desde histórias reais à ficção que sugere o homossexualismo entre crianças. A seguir, a primeira leva das preciosidades que indico a vocês.

OS ANTROPOLOGICAMENTE INTERESSANTES



Para quem gosta de dança, especialmente balé, o "Último dançarino de Mao" é um prato cheio de coreografias belíssimas. O teatro invadiu as salas de cinema com espetáculos protagonizados pelo bailarino chinês que viaja para os Estados Unidos, descoberto por um coreógrafo norte-americano. Além da plástica dos espetáculos de balé que ganham gordos minutos do filme, destaque para o drama que o dançarino enfrenta para ficar na América e consolidar sua carreira. O diretor Bruce Beresford foi feliz em pontuar os contrastes de uma cultura ocidental (China militarista) e outra oriental (EUA, o país livre). Antropologicamente interessante.

Outro filme que trabalha conceitos antropológicos é "A fonte das mulheres". A comédia-drama belga/italiano/francês de Radu Mihaileanu retrata o cotidiano de uma comunidade mulçumana na qual o trabalho braçal culturalmente e historicamente foi atribuído às mulheres. Encarregadas de abastecer a comunidade de água, elas percorrem quilômetros carregando, nos ombros, baldes, desfilando sua feminilidade por morros de pedra no caminho aldeia-lago. Um cenário de exploração que elas tentam mudar fazendo "greve de amor".  Uma história contada com muitas cores, música, dança e hijab.

A narrativa é interessante por fazer analogia à história do filósofo Sócrates e ao Mito da Caverna de Platão. A líder do movimento é a única alfabetizada entre as mulheres. A partir de seu conhecimento adquirdo em livros, ela tenta provar ao líder religioso da comunidade que o Corão prevê a igualdade entre homens e mulheres. Um argumento para pôr fim à exploração.


OS QUE PROVOCAM REFLEXÃO

O cinema francês está arrebentando na qualidade de suas produções e, de cara, joga no peito do telespectador uma narrativa que sugere o na infância. "Tomboy" conta a história de Laura, uma menina interessada em futebol, shorts, cabelo curto, em não só estar entre meninos como se sentir um menino. Como os bons filmes franceses, deixa o público completar o final da narrativa (ou a continuidade sem fim, por que não?).

Muito feliz na forma de contar essa história, a diretora Céline Sciamma construiu a narrativa a partir de brincadeiras infantis, do cotidiano da criança. Cenas concentradas no lúdico que funcionam como uma viagem ao nosso próprio passado (pelo menos eu me senti um pouco dos garotos brincando de guerras de balão de água e tomando banho de rio, como fiz na minha infância). Um filme delicioso com uma trilha sonora de uma música só sensacional.


Baseado em fatos reais, "Compramos um zoológico", de Cameron Crowe fala sobre o recomeço. Enfrentar desafios, dar a volta por cima e construir algo que ficará para um futuro que não viveremos. Um assunto talvez batido em filmes e livros, mas contado a partir de lindas imagens e situações reais com as quais muitos espectadores se identificarão. Uma injeção de energia para quem precisa de um exemplo para seguir em frente.

Outro que incorre na mesma fórmula, "Os descendentes", de Alexander Payne foca mais no momento da chegada da conta da inconsequência para ser paga, qual seja a hora de assumir responsabilidades. Um drama detestado por muitos espectadores, mas que apreciei muito. A história faz todo o sentido para quem já viveu a experiência de sentir a casa cair e ter que reerguê-la. Pontua situações bem reais referentes ao que se vive em um divórcio , ou quando a morte nos leva um ente querido e nos tira um pedaço.


Filmes que precisam ser vistos por serem obras-primas. Narrativas que valem cada segundo.