quinta-feira, março 01, 2012

Gostoso como apreciar o gosto de um brigadeiro

Quando estudamos culturas de sociedades capitalistas, identificamos como um de seus traços o imediatismo, um dos principais frutos da modernidade. Uma característica que explica a junkie food, congelados, esteiras rolantes, metrô... E a impaciência. Aliás, coloco como sub-ítem da impaciência a intolerância. Elas andam grudadinhas, asim, de mãos dadas e quando deitam, ficam de conchinha.

Esse casadinho me fez constatar algo: a opção pelo comodismo, que faz casalzinho com a preguiça. É uma inércia do não se mover. A preguiça existe não só pelo conforto que representa não se mover, como pelo desagrado que representa fazer um movimento, seja ele uma ação ou uma atitude, como por exemplo, decidir.

Despreocupado com a saúde mental, o homem moderno dificilmente reconhece a importância do auto-conhecimento. Muitas vezes o encara como frescura, supérfluo, mas quando descobre que o auto-conhecimento o pouparia de tantos desgastes, tenta correr atrás de si mesmo. Mas quem entra nessa empreitada, sabe que encarar a si mesmo implica muita coragem porque dói.

É exatamente a dor e a impaciência de esperar o passar da tormenta que faz algumas pessoas ficarem inertes na velocidade zero. Romper é desconfortável e incômodo. Por esse motivo, fugimos do resolver dos problemas porque conviver com eles é algo menos desagradável em comparação a vivenciar a dor desse parto, suar e encontrar a serenidade.

Serenidade, aliás, não é uma palavra que eu colocaria no glossário da sociedade capitalista moderna. Serenidade depende de paciência, tolerância. É alcançada a partir de um procedimento homeopático, irritante e indigesto. Estamos acostumados com o "pra ontem". Mais do que isso, fomos educados a não sentir tristeza e obrigados a manifestar uma euforia quase carnavalesca na maior parte do tempo. "Não chora!" "Fica bem!" É o que dizem.

A novidade é que tristeza também faz bem. Faz bem sentir raiva, angústia, ciúme, solidão. São sentimentos que ensinam. Parte integrante da vida, fazem todo o sentido em existir, considerando que a natureza é muito sábia em suas colocações. Como noite e dia, frio e calor, sentimentos antagônicos são necessários uns aos outros. Besta de quem tenta fugir deles.

De acordo com minhas observações, é feliz quem sabe estar triste. E felicidade não tem nada a ver com euforia e excitação. Apenas alguns sentem o seu gosto. Os bravos, diria eu.