quinta-feira, abril 26, 2012

domingo, abril 22, 2012

Fazendo o "Perfeitinho"

Joana, tenho a te dizer que nessa vida me interessam as pessoas que são elas mesmas e estão pouco preocupadas em seguir um padrão. Elas têm uma identidade própria, sabe? São peculiares, têm suas minúcias que as qualificam. Acho isso tudo tão apaixonante... Esse jeito de ser ainda tem um aspecto que muito me interessa e me chama atenção: essas pessoas não são previsíveis! Acho tão fantástico ser surpreendida, Joana!

Um dia, há nem tanto tempo assim, andava com uns amigos em direção ao metrô, aqui em São Paulo. Começou a chover e nos abrigamos em uma área coberta no Parque Água Branca. Um parque legal, perto de casa, que parece ter sido uma fazenda [acredito que da família Matarazzo, tendo em vista que a rua em frente ao parque leva o sobrenome de berço esplêndido].

Inquieta como sou, peguei logo minha "Super 8" e registrei uma fatia de um feriado tão delicioso. Conversávamos sobre fazer o "Perfeitinho". Saca só:




sábado, abril 21, 2012

Lulyes

A vida faz uma parceria interessante com o tempo. Um não existiria sem o outro. A vida faz o tempo existir e ele faz existir a vida. Porque sem passado também não existe o presente, e por conseguinte, nem futuro.

O tempo e a vida nos dão coisas interessantes. Saram ferida, estampam sorrisos. Boas novas que tranquilizam o coração de qualquer um.

Vida e tempo nos surpreendem. Sou a filha mais velha de um trio de irmãos. Única mulher. Sempre pedi aos meus pais um quarto filho na esperança de nascer menina. Não deu.

Mas tempo e vida me deram de presente quatro irmãs. Primeiro a Ísis, que dividiu comigo a irmã Aída e as duas dividiram comigo as gêmeas, Bela e Amanda, suas amigas de infância. Formamos um quinteto que eu batizei "Lulus". Hoje, carinhosamente, Lulyes.

Somos cinco irmãs, boas irmãs. Daquelas que riem junto e choram também. Dividem cremes, roupas, esmaltes e maquiagem. Dividem angústias, tristezas e pesares, além de sobrinhos lindos, o Uly e o Heitor, nossos nenéns, prole da Ísis.

Há mais ou menos um ano, diante da árdua tarefa de escrever um tcc convivendo com dificuldades em nossas vidas pessoais, Ísis tocou uma música pra acalmar meu coração.

Carregando também no peito o peso das próprias tristezas, ela sentou ao piano. Como que chorando pelos dedos, tocou "Romeu e Julieta". Um momento que fotografei com os ouvidos, olhos e alma. Um momento que ainda hoje me emociona como se aquela cena tivesse se passado há alguns minutos.

Tocando pra mim aquela música, Ísis me colocou no colo e soprou nos meus ouvidos que aquela situação difícil também iria passar... Assim são as Lulyes. Nos damos colos do nosso jeito. De um um jeito que só a gente entende.

Carregamos juntas uma energia que tempera a atmosfera dos lugares por onde passamos. E quando estamos juntas, é só a gente que nos interessa. "Party of five", como diz o meu irmão caçula.

Lulyes,
lembrei de 2008. Muito. Aquele ano foi tão delicioso porque estivemos presentes uma na vida da outra a maior parte do tempo. A vida adulta reduziu esses encontros, mas não a intensidade deles. E vocês bem sabem que é só a gente se ver pra ter a sensação de que não passou foi tempo nenhum.

Amo vocês.  

quarta-feira, abril 04, 2012

desejo de explodir

Afastar-se do chão. Sentir a pressão do vento e, logo em seguida, a ação da força peso. Dias em que o único desejo é voar, mesmo que seja em direção ao chão.

Todo mês é assim. Influências da futura queda de progesterona por causa da não-gravidez. Tensão pré-menstrual. Existe.

É um momento mensal que hormônios femininos se sentem à vontade pra fazer do nosso corpo um playground. Brincam com a gente. Uma instabilidade que não há local ou posição onde encontremos tranquilidade. Um estado no qual estar em qualquer lugar não basta porque o impulso leva ao não-parar.

O impulso leva ao não-falar, ao não-tolerar, ao comer, ao inquietar.

Um incômodo permanente, um não-sossego e dor física. Instabilidade que precede uma explosão. Bomba relógio cai como uma luva.

Desejo de explodir.




segunda-feira, abril 02, 2012

Quando a algema é transformada em chip

Crianças monitoradas por chip. Foi essa a alternativa que encontrou a prefeitura de Vitória da Conquista (BA) para reduzir o índice de cabulação de aulas. A ideia é implantar o mecanismo "inovador" em todas as escolas municipais. O mimo custará alguns milhões aos cofres públicos. Uma conta paga pela população, claro.

A notícia veiculada há uma semana no Jornal Nacional veio com tom de boa nova. Me chamou atenção a expressão serena do âncora ao ler a cabeça da matéria. Mais impressionante ainda foi a voz amigável do off da reportagem que, combinada com as sonoras dos entrevistados, veiculou a notícia como um bom presságio.

"Achei muito bom (a implantação do chip no uniforme). Agora não tem jeito, vou ter que meter a cara nos livros", disse um aluno. A mãe de um estudante aprovou o monitoramento que lhe informa por SMS o instante que o filho entra e sai da escola. "Ele leva 20 minutos pra chegar em casa. Quando sei que ele sai da escola, deu 20 minutos e ele não chegou, já fico atenta."

A meu ver, a diferença entre as algemas eletrônicas usadas por presidiários e o chip nos uniformes é nenhuma. Curioso é ver que alunos, pais e a imprensa vejam a novidade como algo positivo, já que reforça a assiduidade no colégio.

Na minha infância, a educação que recebi dos meus pais foi suficiente pra estabelecer em mim e nos meus irmãos senso de responsabilidade. Frequentávamos a escola porque sabíamos que a educação seria fundamental para uma vida adulta com qualidade, na minha visão de mulher adulta (e não moleca), em suma, a educação contribui para um melhor convívio em sociedade e para nosso crescimento enquanto ser humano (ensina muito a respeitar também, aliás, respeito está em falta no nosso cotidiano). Crescer em aspectos subjetivos, além de materiais. Hoje, constato o quanto foi importante aprender (e continuar aprendendo, claro).

Pensando a longo prazo, o que podemos esperar de adultos que foram crianças monitoradas, cuja frequência na escola resultou de uma coação por vigilância? Será que os pais dessas crianças conversam com seus filhos sobre a importância de ir à escola? Acompanham seus deveres de casa? Continuam, em casa, o processo de educação que não se restringe à escola? Ou têm a falsa sensação de que os filhos estão sendo educados só porque o chip os informa que eles estiveram no colégio?

É fato que a comunicação por meios digitais tem substituído o contato tête-à-tête. Agora quais serão suas inúmeras consequências? Por mais imediata que seja a comunicação digital, ainda confio no efeito positivo de uma boa conversa olho no olho, com toque, com afeto, intersubjetiva. Me preocupa a naturalidade e o entusiasmo com o qual setores da sociedade veem a implantação do chip nos uniformes como algo inovador e positivo. A meu ver é retrocesso. É desumanizador.