sexta-feira, julho 20, 2012

Para as mitocôndrias que fazem antropofagia, um Viva!

Sou extremamente fascinada por pessoas cujas mitocôndrias fazem antropofagia [identifico assim pessoas criativas, singulares, com personalidade, divertidíssimas, engraçadas...]. Gente autêntica! A gente sente o cheiro delas de longe e (pode apostar!) a probabilidade de tu teres com elas uma conversa sensacional é de 90% [destaco aqui que considero a conversa o principal ingrediente do combustível que nos dá energia pra viver].

Assim são meus amigos.

São pessoas que qualifico como as mais sensacionais desse planeta. Nos últimos 27 anos andei colecionando figuras do tipo. Encontrei os achados nos colégios, nas brincadeiras de rua [e de prédio também], nas cidades por onde passei, nos vários endereços onde morei, em viagens, em hostels e até em fila de banheiro. A eles atribuí o selo de amigos.

Esses seres humanos sensacionais, estando distantes ou na tua ilharga, te estenderão uma mão ou o ouvido quando precisares e ficarão felizes quando denunciares alegria. Alguns amigos são mais próximos, com outros tu falas bem esporadicamente, o indício de que entre a gente existe uma amizade é o reencontro que denuncia o afeto recíproco, a alegria de se ver novamente e a sensação de que parece não ter passado tempo nenhum desde a última vez que nos vimos.

Todos essas pessoas somaram em mim algo de bom, sempre a partir de uma conversa, uma gargalhada dividia, um abraço honesto, um compartilhar de boas ideias.

Sou a favor de evidenciar afetos e sentimentos.
Eu me declaro mesmo.

E como a antropologia diz que somos o que lemos, as escolas que frequentamos, as informações que consumimos, a família e amigos que temos... Pessoas, também sou um pedaço de vocês.

Acho vocês o máximo! 


quarta-feira, julho 18, 2012

Aí é que dá vontade de fazer arte

Desconheço sobre as pessoas sérias e quadradas que se contentam com seus ternos engomados, mas aqueles cujo espírito tende nem que seja um pouquinho para o lado artístico, se entregam a qualquer forma de arte que os encante. É um lamber de beiços.

Dançar.

É aquele acorde inicial, a pegada do baixo e do bumbo, o entoar de uma melodia que acaricia... Eis que o coração explode e, como fazer sexo com quem se ama carnalmente, a gente dança. Não sei vocês, mas quando danço, me perco, a multidão some, assim como tudo quanto é ruído. O que se sente são apenas os passos e a música é tudo que se escuta.

Quando os movimentos são resultado de uma fusão da dança com teatro, o espetáculo fica ainda mais sedutor. Um balé de tecidos, texturas e cores. Um lugar onde se perde sem a angústia de quem quer ser encontrado. Dançar é tudo o que interessa.


quarta-feira, julho 04, 2012

A vida e seu preâmbulo


Todas as vezes que converso com um idoso, constato a mesma sentença. Sentença essa que deveria estar no preâmbulo da magna carta da vida, se ela existisse. Toda vez que converso com senhores e senhoras, constato: a vida é o que você faz dela. Logo que cheguei em SP, conheci três ateus que, sentados comigo em uma mesa de bar, tentaram de todos os jeitos me convencer que de que fazer merda com a própria vida é o melhor que algumas pessoas podem fazer. 

Seja por consequência da minha criação positivista que me fez acreditar na existência do mérito próprio - na crença de que tudo o que conseguimos é resultado principalmente de nosso próprio esforço -, acredito que sempre é possível melhorar. Na época, o assunto que levou à discussão foi a minha surpresa diante de tantos moradores de rua em São Paulo. Segundo entendidos, levados às ruas principalmente por causa do alcoolismo. Entregar-se à bebida como fuga do que quer que seja foi o melhor que eles puderam dar de si, segundo os ateus. 

Friso o aspecto religioso porque eles deixaram clara a crença de que tudo o que temos a viver e todas as possibilidades de vivências estão na vida material (para eles, apenas vida). Nesse sentido, pensei, a crença sobre a existência de uma única oportunidade de viver só reforça o meu entendimento de que sempre podemos ser um pouquinho melhores. O esforço é sempre uma possibilidade.

Cotidianamente presencio pessoas se queixando sobre a vida que levam (no meu entendimento, a vida que escolheram). Claro que uns têm mais possibilidades de escolhas do que outros, mas ainda assim acredito que sempre há a possibilidade de escolher. Hoje é muito conveniente atribuir o atestado de coitado àquele que não pôde ter um emprego melhor, chefe melhor, filhos melhores, salário melhor, àquele que virou meliante por ser vítima da exclusão social. 

Sábia é a sentença que diz sermos responsáveis por aquilo que cativamos. Responsabilidade implica escolher assumindo as consequências que uma escolha pode trazer. Quando não se assume possibilidades de consequências, maior é a probabilidade de frustração, maior é a probabilidade da conta da inconsequência ser alta. Muitas vezes impagável.

Mesmo que a escolha seja entre o ruim e o pior, as opções existem. Sempre lembro dos soldados americanos da Easy Company que enfrentaram frio e fome para sobreviver na Segunda Guerra Mundial. Eles caíram de paraquedas (literalmente) em um ambiente hostil e com muitas balas perdidas. Matar ou morrer eram as opções que tiveram. Muitas vezes é assim mesmo. Mas quem está na linha de frente, não pode desistir. 

Acredito na possibilidade de tentar e tentar e tentar. E isso não quer dizer que vamos conseguir. Se não der, não deu. E quem se render à passividade, à preguiça, à morosidade, à má vontade, que aprenda a conviver com suas insatisfações. Afinal, este tem todo o direito de escolher viver vendo a vida passar.