quinta-feira, agosto 23, 2012

No meio do caminho tinha um conceito

Sempre confiei na sabedoria da vida que nos leva a lugares onde vivenciamos coisas que nos ensinam e nos dão na cara com um tom de "aprende, desgraça!". A minha vida me mostrou que eu precisava de sossego, me arrancou de uma cidade que desgosto e me levou pra outra que se instalou no meu coração quando fui sua habitante ainda menina.

Há mais de uma ano cheguei em São Paulo, logo fui contratada e parei na área de comunicação institucional de uma empresa cujo lema é "bem-estar-bem". Uma filosofia que acredita que uma pessoa bem consigo mesma consegue estar bem com os outros e assim valoriza a qualidade das relações. Somando-se à filosofia do bem-estar-bem, qualidade das relações foi outra informação que muito me chamou atenção.

Já tinha refletido sobre a importância do respeito e cuidado recíprocos, mas nunca sobre a qualidade das relações. De fato, quando uma pessoa provoca na outra sentimentos e sensações desagradáveis, é dado o play no desgaste de uma relação.

Seu Luiz Seabra, fundador da Natura, foi sábio quando pensou em produzir cosméticos com o objetivo de aproximar as pessoas, intensificando trocas de cuidado, amor, carinho e respeito. Nunca tinha olhado um cosmético com esse ponto de vista. Esse conceito agregado aos produtos que uso desde que me entendo por gente de fato intensificam a experiência do cuidar-se, do cuidar do outro.

Enquanto aprendia e internalizava esses conceitos para produzir conteúdo institucional que transmitisse o valor e a cultura da marca, aprendia na prática o quanto é importante valorizar as relações que temos, um nicho de relações construído em muitos anos. Longe de minhas pessoas queridas, percebi o quanto elas são ainda mais importantes do que eu pensava e fiz questão de fazê-las perceber que moram no meu coração, como costumo dizer.

Seu Luiz sabe das coisas. O bem-estar-bem e a saudade acabaram despertanto em mim uma preocupação maior em tratar bem os amados. Com mimos, palavras carinhosas [sem palavras crueis], com conversa, abraço, beijo e demais demonstrações de afeto. Vez ou outra somos cruéis com pessoas queridas, um gesto muito imbecil que só desgasta as relações, acaba com respeito, confiança e causa dores. Desnecessário.

Aquele negócio de amar quem nos ama como as nós mesmos (Freud já explicou - vide "O mal-estar na civilização") é bem isso. Valorizar a qualidade das relações. Simples e genial, Seu Luiz.