domingo, janeiro 20, 2013

E eu sempre me encantei pelas ruas de pedra

Estava eu lavando louça, curtindo minha solitude com esponja e sabão na mão, animadíssima com a experiência de me sentir tão dona de casa. Mas uma "voz" me surpreendeu e avisou: aproveita que isso vai acabar! Mas eu senti que acabaria porque iria chegar uma nova fase da vida e tudo ficaria diferente mais outra vez. Mas seria um diferente bom. 

Nessa mesma época, meu carnaval agendado para desbravar São Paulo com mais duas amigas paraenses melou. Elas foram pra terrinha e eu pensei que seriam muitos dias a se gastar em Belém. "Não, nem pensar. Vou viajar, mesmo que viaje sozinha", pensei. Uma tomada de decisão um mês antes do carnaval, mas, confesso, nem temi diante da possibilidade de preços exorbitantes. De alguma forma eu sabia que viajar tava praticamente selado. 

Ouro Preto! A bela cidade veio como um estalo na minha cabeça. Sempre quis ver e sentir toda aquela belezura sobre ruas de pedra e um monte de igrejas. "Igrejas! Museus! Minas! Perfeito pros meus dias de sossego", pensei. Até então desconhecia o carnaval seladíssimo que a cidade acolhia. É sen-sa-cio-nal mesmo para aqueles que não são muito chegados, tipo eu. 

Em busca de informações pra bater o martelo e organizar passagem e hospedagem pro feriado, pesquisei na internet, nos sites das companhias aéreas - as passagens de ônibus ficam caríssimas nessa época, não valia a pena -, conversei com amigos que já tinham viajado pra lá aí lembrei: "o Marcinho mora em BH, vai me dar todos os detalhes" e deu. Inclusive me indicou o Sorriso do Lagarto. Inclusive peguei o último dia de promoção do Hostel, assim como garanti passagens camaradas às vésperas do feriado. Deu tudo certo e a viagem se resolveu em dois dias.

Lembro da minha euforia de quando tudo deu certo. Nesse dia, tomei banho como quem tá na multidão que acompanha o trio elétrico. Entre coreografias, levantando os bracinhos, estranhei: "É muita felicidade só pra quem vai passar o carnaval em Ouro Preto". 

Desconfiada dessa inquietação, comentei sobre a viagem com a Chris, minha querida amiga com quem converso muito sobre energias e lado de lá. "Chris, tô sentindo que essa viagem vai mudar minha vida e tô te falando isso pra gente ver na volta do carnaval se eu tava certa." Ela se arrepia até hoje quando lembramos da história. Também liguei pra minha amiga irmã do coração, Ísis, e disse que tava indo pra Ouro Preto. 

Igualmente muito bem conectada com essas energias, três anos antes eu estava com Ísis quando ela me disse que eu encontraria meu amor numas ruas de pedra. Falando com ela antes de viajar, Ísis enfatizou com um tom risonho de alerta: "Lá tem um monte de ruas de pedra..."

Eu senti que Ouro Preto seria fantástico. Essa cidade acolhe tão bem as pessoas. Tu te sentes em casa, pelo menos eu me senti. São paisagens impressionantes e uns temperos que perfumam a cidade de um jeito peculiar. Eu fiquei besta com tanta coisa linda, preços baixos, gente do bem, samba-canção, Cartola, sambão, axé (inclusive sucessos de noventa e pouco! tipo ilha ilha do amor!), ai se eu te pego, ME DA UM TCHU, ME DA UM TCHA (a música nasceu assim e virou EU QUERO. Muita gente cantava isso nas ruas e não existia a música ainda. Mas a melodia sugeria um funk).

Com dois dias de Ouro Preto, de bobeira no hall do Sorriso do Lagarto, encontrei Davi, mas a gente acabou indo cada um prum lado. Mas no meio da rasgaciones, breada de samba, aquela mesma voz da cozinha interrompeu minhas reboladas: "É hoje! Não sei quem tu és, nem como a gente vai se encontrar, mas é hoje!", pensei. Davi apareceu, a gente se grudou e eu me senti na pele das mocinhas de séculos passados quando apresentadas a seu futuro marido, um homem completamente estranho. Porque eu sabia que ia casar com ele. Só tinha que deixar o tempo passar e ele descobrir isso. 

Ele já descobriu.