domingo, abril 14, 2013

sobre respostas imediatas

Nesses tempos de clima propício para interações com as cobertas (leia-se friozinho), tenho tido mais tempo para pensar sobre as atitudes das pessoas, Joana, do que assisti-las de camarote, como costumo fazer quando estou por aí. A impressão que tenho é que pessoas socialmente poderosas sentenciaram pensamentos e comportamentos (obtusos) e influenciaram (negativamente) aquelas que se encontram debaixo do seu guarda-chuva de influências.

Aí o que eu vejo rotineiramente são pessoas reproduzindo atitudes egoístas, impacientes, batendo o pézinho porque o outro não correspondeu às suas expectativas. Isso tem sido reforçado com essa história de que todo mundo quer ser VIP e igualdade é tratar todo mundo como Very Important People, ao invés de baixar a bola dos VIPs pra um nível de igualdade no qual todos são iguais porque tratados igualmente com respeito e educação.

Essa história das pessoas estarem o tempo todo cobrando das outras o seu grau de importância tem me deixado muito triste, Joana. Essa gente que só olha pros perímetros da própria bolha me entristece. É um se achar melhor do que os outros, a bala que matou Kenedy, uma necessidade de dizer a última palavra, de querer falar e não querer ouvir, de não se importar com o outro (se tem tempo, se está bem, se está sendo azucrinado, desvalorizado...). Quem se importa, Joana?

As pessoas só estão preocupadas em ser escutadas e atendidas e isso tem que acontecer no menor período de tempo possível. As pessoas estão exigindo das outras respostas na velocidade da máquina. Elas têm se relacionado tanto com computadores e sistemas operacionais que esquecem que as relações compreendem interações com pessoas que, diferente da máquina, têm velocidade menor de resposta.

Eu sinceramente não sei como lidar com essas pessoas, Joana. Porque eu vejo que elas só enxergam a sombra projetada dentro da caverna e, pra elas, isso é tudo o que existe. Eu tenho relevado essa insensibilidade. Eles não têm ferramentas pra agir que não desse jeito. É de entristecer.