domingo, junho 23, 2013

Está quase todo mundo nas ruas, Joana.

Desde que uma fatia gorda da população brasileira, principalmente jovens, foi à rua pedir redução da tarifa das passagens no transporte público, principalmente, além de decência na saúde, educação, segurança e o fim da corrupção - entre outros vários motivos que deixam o brasileiro de saco cheio há alguns anos - fiquei impressionada. Acompanhei os protestos com maior intensidade desde quinta, 13, o dia do #vemprarua, quando milhares de brasileiros participaram de inúmeras passeatas em todas as regiões do país. 

Antes disso não dei muita atenção, confesso. Como várias outras passeatas que acontecem em SP, principalmente, enxerguei essa como mais uma insatisfação de um povo que tá cansado de várias decisões obtusas que vem sido tomadas no Brasil. Só que de uns dias pra cá, as manifestações adquiriram um tom de micareta por causa de muitos manifestantes narcísicos que estão no meio da multidão para brilhar e outros tantos que reproduzem frases de efeito do tipo "o gigante acordou", utilizadas recentemente como marcas ao invés de realmente expressarem um consciente desejo de muitos manifestantes. E digo isso porque basta atentar um tico pra perceber que os discursos são reproduzidos e não opiniões próprias. Muitos desses não têm maturidade política porque a educação brasileira, pública e privada, via de regra não forma alunos que desenvolvem criticidade e a capacidade de desenvolver opinião própria. Mesmo porque para isso acontecer é necessário maturidade, consciência de si mesmo e muita terapia e todos estamos carecas de saber que a saúde emocional é exaustivamente negligenciada em nosso país que ainda associa terapia a "coisa de doido". Muita ignorância, nota-se. 


Acho válido os olhos do país estarem mais ligados na coisa pública, na cidade, no executivo e no legislativo do que na Copa das Confederações. Um feito colocar a pauta futebolística em segundo plano, especialmente no Brasil. O povo ter estado nas ruas torna evidente que estamos insatisfeitos, cansados de tantas violações, restrições de liberdades individuais e direitos fundamentais. Mas pra arrumar anos de bagunça é necessário uma estratégia. Gritar "sem partido", "sem violência" e pautar na grande mídia os "atos isolados de vandalismo" não vai concretizar mudança. Ainda é necessário um olhar maduro e crítico sobre tudo o que está acontecendo, pois a história do Brasil mostra que o oportunismo de dissimulados passou por cima da maioria e instalou ditaduras, inclusive de forma velada, imperceptível a um povo que confunde liberdade com poder de consumir.


Aliás, muitos cobram liberdade sem mesmo compreender o que é ser livre, ainda com uma visão romântica e idealizada de que uma vida livre é só alegria. 


Aqueles que entendem por liberdade fazer o que a vontade diz, com todos os prós e nenhum contra, estão confundindo-a com a inconsequência e a irresponsabilidade. Exercer a liberdade consome muita energia, paciência e exige um monte de tolerância, às vezes, até sangue frio.


Hoje vivemos no Brasil um momento importante para repensar tomadas de decisão obtusas e avaliar porque gente tão equivocada ocupa cargos estratégicos com poder de tomada de decisão. Um momento oportuno e necessário para muitas reflexões e amadurecimento. A maioria dos que protestam hoje, nas ruas e nas redes sociais, enxerga com foco nas frases de efeito. Uma oportunidade para propor debates, incentivar reflexões para a construção de uma sociedade de fato democrática e abrir os olhos para os oportunistas que se aproveitarão como puder desse contexto para trabalhar em causa própria e, claro, prejudicando a população.