sábado, setembro 28, 2013

Um dos melhores lugares do mundo é a plateia

Joana,

há algum tempo me prometi fazer um mural com os ingressos de shows e peças que andei colecionando. Não foi a primeira vez que guardei com carinho as entradas de espetáculos memoráveis. Por onde andam os tantos outros vestígios de plateias por onde estive? Não sei, se espalharam por lixeiras com o tempo, sem que eu soubesse. Mas não são menos importantes, de jeito nenhum. Guardo os espetáculos na memória e no coração, claro. Estar numa plateia é sempre memorável.

Esse mural é especial. Não apenas porque reúne passagens por plateias de espetáculos como "Tim Maia - Vale Tudo" - belo musical com Tiago Abravanel, antes dele ir pra Globo e ficar famosíssimo (canta muito! emocionante) -, "Hair" - a peça mais linda e emocionante que assisti nesses últimos 29 anos -, "A Casa Amarela" - solo belíssimo com o Gero Camilo - e "Viver Sem Tempos Mortos" - monólogo com a dona Fernanda Montenegro - não tenho nem palavras...

Ou porque denuncia o carinho com o qual lembro de ouvir, e cantar junto, Alanis Morissette, Lobão - gravação do dvd "50 anos a mil", imagine! -, o primeiro Lolla Palooza Brasil e Aerosmith - que tive o privilégio de ver tão de perto que enxerguei o olho roxo do Steven Tyler que tinha caído durante o show em Buenos Aires uma semana antes.

A importância desse mural está em lembrar o quão é importante ir.

Quando a gente vai, gera movimento. A gente vai, a gente vê, a gente ouve, a gente sente. E quando vamos indo com a arte do lado, a gente vai ainda melhor.

Fui indo, indo, indo tanto que cheguei.

:)

quarta-feira, setembro 25, 2013

O ingrediente Calundu

Tenho estudado bastante sobre tradições religiosas afro. Nas minhas pesquisas, descobri que no Brasil dos séculos 17 e 18, há registros de práticas de curandeirismo e uso de ervas combinadas com adivinhações e possessões chamada calundu, uma prática religiosa africana.

Quem nasceu na Amazônia, como eu, cresce acostumado com o hábito dos banhos de ervas, que são tomados principalmente em datas festivas, como na madrugada do dia de São João e na véspera do ano novo.

Quando estou em Belém (PA), minha passagem pelo mercado do Ver-o-Peso é cumprida com tradição. Me dirijo logo para o espaço das erveiras - um lugar onde circula muita energia (quem tem uma certa mediunidade sabe do que estou falando). Sempre sou profundamente seduzida pelo perfume das ervas, especialmente o patchouli. É delicioso!

Compro meu banho de ervas para renovar as energias - descarregar as energias negativas e atrair boas vibrações. Só não imaginava que esse gesto bebia nas tradições negras. Pensei que fossem apenas heranças indígenas. Mas a história da nossa colonização demonstra que os brasileiros, especialmente os amazônidas, somos uma linda mistura de povos tradicionais, além dos europeus.

Confesso que muito me agrada flagrar nos meus hábitos tradições indígenas e africanas com as quais me preocupo em preservar. Elas me fazem me sentir peculiar, me sentir mais eu. Nada contra as tradições europeias, povo cujo sangue também carrego nas veias e artérias, mas, desculpem-me os brancos, me sinto mais índia e negra embora carregue um fenótipo que faz os nativos amazônidas terem sempre me tratado como estrangeira. 

quinta-feira, setembro 12, 2013

Trambolho: quando desmontada sua estrutura, vira um monte de coisa facilmente descartável.

Houve um tempo em que dançar perto do fogo só me bronzeava. Aposto que, diante de uma fogueira, o bronze ainda hoje seria a realidade. Mas sabes que de uns dois anos pra cá tenho preferido estar branquela? 

Quantas vezes a gente não leva um tapão porque ofereceu a cara pra provar a nós mesmos que suportaríamos o tabefe? Eu ofereci um monte... Até cansar e constatar que tanta mágoa era desnecessária. 

Mas o marasmo e o tédio fazem a gente procurar arte. E quem procura, acha. 

Mas sabes, Joana? Eu descobri a minha paz. Tava soterrada debaixo de um monte de entulho. Joguei tudo fora, fiz um faxinão. Um santo remédio pra energia circular bem é a arrumação, a higienização da alma. Fiquei nos trinques.

Mas deu um trabalho...

Mas tá sossegado.