terça-feira, março 04, 2014

Lembre que eu existo

Carta de uma criança de 11 anos à sua mãe.

Prioridades. 

Quando esse bilhete caiu em minhas mãos, não pude não pensar em outra coisa. Qual a prioridade de pais e mães? Já tinham, eles, sua lista de prioridades quando pensaram em ter seus filhos? Ou os filhos surgiram de repente, atropelando essa lista de prioridades (pelo menos momentaneamente)?

Babá. Hoje é quem mais eu vejo dando suporte às crianças enquanto elas se desenvolvem. Elas que crescem como podem, aprendem como podem, em casa, em salas de aula, no playground do condomínio, apreendendo e costurando referências e experiências enquanto os pais se ocupam com suas prioridades. Construindo como podem essa colcha de retalhos que aos poucos as consolidam como indivíduos com capacidade de tomada de decisão e de interferência na sociedade. 

Eu gostaria de ter a oportunidade de criar e educar os meus filhos. Ensiná-los a lavar as mãos, a comer sozinhos, a amarrar os cadarços. Estar presente quando eles derem o primeiro passo cambaleado. Quero estar presente. Pretendo. Não quero que eles sequer pensem que haja um minuto qualquer em que eu não os tenha em mente, porque filho faz parte da gente, crianças são nossas crias e é claro que elas não compreendem isso. Mas nós sim. E fica por nossa conta fazê-los compreender e confiar que sempre, sempre estaremos ao lado deles.

Crianças são frágeis. Precisam que nós a ensinemos a serem fortes. Precisam aprender o que é ter confiança (em si mesmo e nos outros). O que é cumplicidade, amizade, respeito, solidariedade. Entendendo tudo isso, elas entendem o que é amor. Crianças precisam de uma mão para dar a sua. Precisam da minha e da sua mão de mãe. Precisam da sua mão de pai. E do abraço, e da conversa também. Esses são fundamentais.

Quando se trata de criança, isso deveria ser prioridade.